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domingo, 20 de novembro de 2011

Essência de Éteres - melodia I




Dos lábios – a fruta
Mel na clave de sol
Inscrição na partitura
Meus olhos ouvem o estribilho
Em do re mi
Desperto no acorde
doce
Mel(o) dia

by Lu Cavichioli

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Noite dos Tempos

Uma dessas noites em que o tempo/espaço e universo te levam a divagar, creio eu ter achado minha outra parte em alguma dimensão paralela.

Veio em forma de sonho, mas para mim parecia muito real.
Quem tiver a fim de ler: BOA VIAGEM E LEITURA TAMBÉM!

(Tive esse sonho no ano de 2000!)
Sentei-me na cama. O peito arfando e a testa molhada.




Logo que o rádio relógio tocou olhei imediatamente para os digitais, que exibia um vermelho desbotado, posto que ainda sonolenta, visualizava em meio à leve penumbra que envolvia meu quarto, números, que gritavam: _oito horas da manhã!
Então sem demora levantei respirei fundo dirigindo-me à porta que estava fechada.

Quando abri, saí no corredor e vi minha empregada que passava apressada vestindo um uniforme nada habitual. Usava na cabeça aquelas toquinhas ridículas com rendinhas e laços de fita acetinada, culminando num todo listrado de azul e branco, avental do mesmo tecido, meias soquetes e sapatilhas brancas. Olhei-a meio desconfiada, virei a direita esperando encontrar minha sala de estar, quando fui surpreendida por uma grade que dava acesso a uma escada que por fim levaria à sala.

À minha direita, cortinas esvoaçavam ... Enfim quando resolvi descer as escadas olhei para baixo e vi três salas. Parei, segurei firme na mão da criada puxando-a em minha direção, indagando:
__Onde estou? Que lugar é este?
__Desculpe, senhora, mas... Está em sua casa!?
Dito isto, soltei-a de qualquer maneira e pus-me a contemplar o trio de salas, amplas em sua totalidade. Duas salas de visitas, diferenciadas, e ao longe a sala de jantar.

Ainda não tinha conseguido descer as escadas, estava meio atônita e petrificada. Num ímpeto, projetei meu corpo para frente e pensei:"_ vou descer... é agora ou nunca. Então comecei a descer, quando ouço bem atrás de mim um choro de criança... Olhei e vi um rosto de maquiagem leve,fino corpo vestindo um avental branco e trazendo nos braços um bebê rosado e muito bem cuidado, que ao olhar prá mim, sorriu como uma estrela em noite enluarada.

Não pude conter-me, acariciei seu rosto, suas mãozinhas, que neste momento ansiavam por meus braços. Surpresa e comovida, olhei para aquela moça e perguntei:
__Quem é você, e o que faz com este bebê aqui?
A moça olhou-me com indignação, respondendo:
__Bom dia... é... sou a babá, e este, seu filho.
Este golpe foi pior que as três salas, a sacada e aquele uniforme sem graça de Maria. Neste momento eu não sabia se estava no último degrau ou se já tinha colocado os pés em terra firme.

Quando dei por mim estava sentada em uma das poltronas ouvindo um ruído que vinha detrás de uma porta vai e vem . Levantei-me rapidamente, empurrei a portinhola e saí na copa. Mesa posta, uma desjejum de fazer inveja! Frutas, leite, sucos, frios , queijo, croissant, geléia...
Tudo era muito estranho, mas eu , de certa forma, estava gostando daquilo. Então pude ver agora de onde saía o ruído que ouvira instantes atrás. Em pé ao redor de um balcão instalado no centro da cozinha, estava outra jovem, de certo agora uma cozinheira, picava lentamente alguns legumes. Olhou-me dizendo:
__Bom dia, não se preocupe, já estou fazendo a sopinha do bebê, vou colocar bastante cenoura como pediu.

Assenti com a cabeça, balbuciando um gemido: "_ahan”
Resolvi continuar minha exploração e logo ouvi um burburinho vindo de fora. Corri e saí em um quintal... enorme... com jardim e tudo.
Passou por mim neste momento uma jovem, linda, cabelos solto , pretos, olhos escuros e pele bronzeada. Deu-me um beijo e disse:
__oi mamãe, onde estava? Está atrasada para sua aula de natação.
NATAÇÃO??????

Eu odiava natação e morria de medo de piscinas. Foi quando vi, bem na minha frente, umas delas. Enorme, e... Cheia de gente.
Parecia uma festa do Havaí... Uma loucura!
Saí andando por este jardim como uma desorientada, perdendo a noção do tempo e espaço. Ao longe, avistei aquele bebê, juntamente com três senhoras. Corri até lá pedindo ajuda:

__Por favor, ajudem-me! Quero sair daqui... quero ir para casa.
Uma delas aproximou-se de mim dizendo:
_Fique calma, está em sua casa.
Olhei-a extremamente desesperada. Foi então que tive a maior e a mais extraordinária experiência de toda minha vida.

Avistei uma cadeira, bem no meio do jardim... corri, sentei-me nela e imediatamente esta cadeira foi girando, em câmera lenta...
foi subindo para o ceú, girando lentamente... Subindo, e eu vi nesta hora figuras angelicais de todos os tipos, formas e rostos. Uma mais linda que a outra. Depois o movimento giratório tornou-se mais rápido e logo estava eu em um túnel nebuloso... ( não dá para imaginar que sensação fantástica e aterrorizante que eu estava experimentando)

Continuava girando e girando cada vez mais rápido, até que a cadeira ficou em posição normal, eu fui descendo lentamente e quando dei por mim, estava em minha cama, em meu quarto, porta fechada, olhar no relógio: Um digital vermelho que ressonava oito horas da manhã!

Cheguei à uma conclusão: Foi realmente um sonho, ou um fenômeno?
Estava em outra dimensão encontrando-me com meu outro eu??
Não sei dizer. Só sei que nunca mais esqueci esta experiência.
Mas de uma coisa estou certa:
Existem os mistérios, porém, somos tão frágeis criaturas, que não valeria a pena tal explicação. Mesmo porque nossa mente
não alcançaria tal revelação.

Coleção: Self

By Lu Cavichioli

domingo, 13 de novembro de 2011

Pousando de Bacana


imagem Salvador Dali


As Intenções podem ser disfarçadas
a palavra:
es-ti-li-za-da

Enigmas & mimetismos
Escrevem no tempo
Hieróglifos e aneurismas

Arrebentam no cérebro
Irônico da memória

A Massa cinzenta
De um ego neurótico

by Lu Cavichioli

sábado, 12 de novembro de 2011

A Flor e a Estrela

Quando se é flor, a terra agradece e o perfume agrada (mesmo que seja breve sua vida)

Quando se é estrela, o céu fica mais iluminado (pra te receber).


...Pra você, Rosely, já com saudade de ti.
Esteja com Deus!
da amiga
Lu C.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Decidi escrever... E agora?

Um pouco da minha história



Quando resolvi mostrar meus escritos há dez anos eu não conhecia nada sobre o mundo literário e seus mistérios. Eu pensava que era somente a pessoa ler e gostar... Quantos enganos e quantos desenganos experimentei nesses anos.
Apesar disso eu nunca desisti e até achava que escrevia bem. Ora bolas, bem pra quem? Eu não tinha noção de quanta gente boa, ESTRELAS mesmo, já estavam “anos luzes” desta pequena e tímida esfera de luz.

Minha caminhada continuava em busca de aprendizado e oportunidades em mostrar meus escritos , e mais que isso ser comentada por alguém.

Nessa época eu não tinha internet, e ia juntando no baú minhas letrinhas todas empilhadas e que tinham sobre elas apenas um parecer: O MEU! Depois que entrei na vastidão virtual, tomei coragem e decidi espalhar minhas palavras por aí. Comecei então a procurar sites de literatura que me dessem o que eu realmente esperava: INTERAÇÃO.

Eu queria escrever, ler, comentar e ser comentada. E consegui! Lá estava eu toda feliz nesse caminho onde conheci muitos astros de luz própria que ajudaram -me a crescer, a perceber meus erros dentro dos textos e dos poemas que eram piegas, com rimas forçadas sem nenhuma elegância e musicalidade. Aprendi a ver e varrer de meus versos os assanhados clichês e chavões (todos muito cansativos) que empobreciam o lirismo. Se é que havia algum em meus poemas?!

Nessa etapa eu apanhei muito , fui humilhada e desrespeitada em algumas críticas a respeito de meus trabalhos. Aquilo era o fim pra mim.
Gosto das críticas, dos comentários embasados que só acrescentam, mas não de esculachos porque o sol brilha pra todos, ou não?

Na verdade, eu queria ler os trabalhos alheios, aprender com eles e também a fazer os meus comentários. Eu tentava! Escorregava... Mas mesmo assim eu continuava.

Eu tinha que vencer a elitização do site em que (agora) era membro. Deveria escrever a altura dos ditos literatos chefões que ali mandavam e desmandavam sem papas na língua. De tapas em tapas e mais pontapés eu tirava proveito das críticas malvadas e ia lendo, lendo e absorvendo e também escrevendo mais. Conquistei amigos fieis (poucos), o que é normal. E desafetos também, (muitos) o que também é normal.

Percebi que aprender dói e crescer dói mais ainda. Depois de uns dois ou três anos de muita leitura/tapa/crítica/abraço/correção/caindo /levantando eu adquiri uma postura ereta. Ninguém mais ali me subjugava porque eu percebi que podia figurar dentro do clube e meus escritos haviam tomado prumo. Além disso, enxerguei seres humanos que são GENTE e gente que não (supostamente) poderiam ser humanos. DESCOBRI A AMÉRICA? Sim, descobri mais Américas do que poderia supor e, em minha estatura de poeta criei asas e ousei iniciar meu voo pleno sem apoio, sem claudicar e lá se foi a poeta alçar rumos.

Criei meu estilo e ele gira em torno do surreal, da fantasia, da natureza como um todo.
Filosofar sobre o ser humano e suas esquisitices eu realmente não consigo, embora já tenha escrito algo nesse sentido. Mas não é a minha praia.
Hoje, depois de 11 anos voando sozinha, construí sustentáculos para meus músculos de manequim (outrora hirtos).

Creio que atualmente aprendi mais que voos. Aprendi a ler nas entrelinhas e as minhas críticas são baseadas no que aprendi e as faço sem culpa, mas sempre respeitando o limite do outro. Embora essas minhas críticas já me custaram caro em algum momento porque a complexidade do ser humano é sempre um paradoxo. É preciso ter cuidado, justamente porque o livre arbítrio e a tal liberdade de expressão podem te levar a alguns desatinos e o teu nome e a tua figura transformar-se na tal “persona non grata”. .. (Olha a boca no trombone aí.

Enfim, a modéstia existe, mas eu não faço dela minha capa protetora e nem poso de astro porque escrever é uma tarefa árdua e é preciso estudar sempre e ler muito.

O que eu quero é continuar aprendendo com os que sabem mais que eu. Absorvendo tudo aquilo que acrescenta. Se alguém, eventualmente me corrigir eu agradeço e peço bis e assim vou caminhando nessa estrada infinitamente bela, que é a ESCRITA, pois ela faz parte das minhas células.


* fotos - coquetel de lançamento da coletânea poética Re(cantos)de Mim
Biblioteca Antonio Adolfo em São Paulo*
julho de 2008