Todos os Direitos Resevados à Lu Cavichioli

Creative Commons License Todos os trabalhos aqui expostos são de autoria única e exclusiva de Lu Cavichioli e estão licenciadas por Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License. Não comercialize os trabalhos e nem modifique os conteúdos Se quiser reproduzir coloque os devidos créditos

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Carta para Clarice Lispector




Queridos amigos, essa postagem tráz até vocês uma carta que escrevi quando participei do concurso A Hora da Estrela. Onde deveríamos escrever uma carta para Clarice em nome de algum amigo querido. Essa carta poderia ser ficticia ou ilustrar algum nome público que tenha participado da vida da escritora.
Descobri então que Ilka Soares era sua amiga particular e foi esse meu ponto de partida.


Elaborei minhas idéias e pesquisei algo sobre sua vida para ter alguma base verídica, o resto eu inventaria. E assim foi.


Participei com muita gente boa, mas não fui a ganhadora embora minha participação já tenha feito o trabalho de vencer. Porque participar já faz a sensação.


Compartlho a carta para apreciação de todos.


Obrigada!



Rio de Janeiro, oito de dezembro de 1960

Clarice amada,

Saudações querida amiga. Escrevo em razão de teu aniversário no próximo dia 10, que completa idade tão privilegiada, onde tudo realmente começa. Pelo menos é o que dizem.

Faço votos que teu regresso ao Brasil seja pleno de felicidade e que tenhas inúmeras realizações.
Com alegria venho convidar-te a pedido de meu amigo e jornalista Alberto Diner, para que assines minha coluna no Diário da Noite. Ontem conversamos muito ao telefone, e ele me dizia do grande sucesso que já é Laços de Família. Inclusive, ele próprio me presenteou com um exemplar.

Ah, Clarice quero te pedir algo, abandona Helen Palmer – revela-te, artista. Tu és Lispector, a Clarice de todos nós.
E olha, tenho mais uma novidade, essa é de arromba, prepara-te: Conhece a Editora Francisco Alves? Pois é, eles estão interessados em publicar teu romance A Maçã no Escuro. Não é bárbaro? Ouvi rumores outro dia na confeitaria do Café Estrela.
Sem mais

abraço-te.

Ilka Soares

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Escritos na Memória sai de férias e...





... Deseja a todos amigos e seguidores Boas Festas e um 2011 de mais reflexões sobre o AMOR, a PAZ, a UNIÃO, o RESPEITO AO SEMELHANTE, e para COM O PLANETA e que possamos lembrar que há de se cuidar do CORPO E DO ESPÍRITO.

Até breve e um GRANDE ABRAÇO FRATERNAL da amiga

LU CAVICHIOLI

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Série: Um Sonho em Paris - SAUDADE DE UM CERTO AMIGO




Carta secreta (universalmente deflagrada por mim) – a meu amigo, o brasileiro que sonha no estrangeiro.


Rio de Janeiro, 15 de setembro de 1976

“Querido e inesquecível G. Apolinário
Sei que está assolado pelo deslsumbramento feminino de uma figura que, sem saber, tornou-se tua carcereira.

Preciso urgentemente falar-lhe. Telefonema custa caro e você sabe que tenho precisão em economizar. Então o correio foi a melhor opção.
Outro dia recebi um aviso do banco em teu nome que dizia que o débito automático estava cancelado e que tuas contas seriam enviadas pra tua casa. Teu aluguel está atrasado 10 meses ( se é que te lembras). ...b

O tintureiro entregou o terno da formatura aqui em casa e reclamou dizendo que nunca mais pega tuas roupas. Só pra te avisar, eu paguei o tintureiro.
Manda notícias seu ingrato e pare com essa loucura de mulher azul, senão eu mando a Súreté Nationale te prender - SEU MALUCO!

Se você não enviar resposta, pego suas economias e compro uma passagem e te trago a força".

Teu amigo/irmão (infalível e fiel)
A.C

Por Lu Cavichioli

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010



Amigos, gostaria muito de dividir com vocês uma série de textos (ainda em execução)que devem compor uma releitura da obra de Roberto Drummond, um escritor que revolucionou a literatura nos anos 70 com sua escrita despojada e direta.

Nestes ensaios eu reescrevo uma obra que o consagrou e que lhe rendeu o Premio Jabuti de Literatura. A obra em questão é: A MORTE DE D. J. EM PARIS - para quem já leu será mais fácil fazer a releitura através de minha escrita. Para quem não leu, deixo aqui uma excelente indicação de leitura, entre outras, deste autor pós-moderno que grande influencia teve em meu estilo.

Neste primeiro momento apresento a vocês um pequeno texto de abertura entre os demais ensaios.


Fragmentos de um devaneio
(sussurros de um homem atormentado)

Escrevo sobre G. Apolinário – (um de meus personagens que invariavelmente perde-se entre suas múltiplas personalidades)

Não tenho dormido quase nada pra falar a verdade. Aceitei a sugestão de meu vizinho de quarto e passei a usar protetores auditivos para afastar o barulho incandescente do transito.
Em algumas noites tomo um comprimido para dormir. Outras, fico de olhos pregados no teto em cruz de meus escárnios.

Um ronco imaginário dorme a meu lado, enquanto lá fora a chuva castiga a vidraça. Sei que almas viram estátuas no ponto de ônibus eternamente plantado em frente à minha janela. Acendo a luz do abajur vermelho, tipo cereja doce e ligo o ventilador de teto. Depois acendo um cigarro só pra relaxar.

Paris grita enlouquecida e iluminada. Quem sabe eu seria mais feliz se estivesse sentado em um dos milhares de cafés espalhados pela sexta-feira com cara de sábado.

Em meus sonhos (quando os tenho), encontro com ela. Encantadora de meus pensamentos, que assobia e dança com a música que sai de seus sapatos. Ela, que desfila e desnuda a neblina. Que fala a meus ouvidos com voz de blues.



by Lu Cavichioli

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Era uma vez... Um causo do tipo - histórias que o povo conta



A rua mencionada era onde ficava o cemitério. Há muito tempo fatos estranhos estavam acontecendo. Alguns diziam ouvir uma mulher que cantava canções de ninar. Já outros, ouviam gemidos estranhos que ecoavam das entranhas dos túmulos. E naquela noite, Josefina testemunhou outro fato. Talvez o mais bizarro.
Ela nos contava meio sem fôlego, tremendo de susto e medo, enquanto a molecada ria e corria do lado de fora da casa.
_Gente, eu vi! Era uma moça... era ela!! Eu a reconheci.
_Calma, Fina - dizia D.Maricota, a costureira; respire e fale devagar.
A casa continuava cheia de gente, cidade do interior... aquelas coisas...todos queriam ouvir o tal caso. Então, ela continuava:
_Ela vinha em minha direção, estava vestida de noiva. Vocês não se lembram? Da professorinha? Que sumiu no dia do casamento?
Era uma história antiga. Os mais novos estavam boquiabertos e os mais velhos relembravam a triste sina da moça.
Fina resfolegava entre um gole d'água e outro.Chamaram o padre para exorcizá-la, as comadres beatas benziam a casa...

O fato é que no dia do casamento, com todos os convidados instalados na igreja da praça, com direito a bolo e docinhos, o padre em traje dominical, todo garboso, ninguém suspeitava o atraso da noiva, porém estranhavam a não presença do noivo.
Onde estaria o noivo?? Sim, porque atraso é coisa de mulher. É sempre a noiva que atrasa!
Mas naquela noite não havia nem a noiva, e muito menos o noivo.
Soube-se depois que o tal futuro marido havia fugido com a mulher do chefe de polícia. Mas... e a noiva???
Essa sim, desapareceu!!
Depois de muita investigação e algumas pistas óbvias, deu-se a solução para o enigma
.Um caso trágico!
A noiva fora sepultada viva. Deram-lhe um sonífero e a enterraram com a roupa do casamento.
Que tragédia!!!!
E... Em noites escuras, vê-se o vulto branco e desolado, de buquê na mão, procurando por seu noivo assassino.


pernas pra que te quero!!!
by Lu Cavichioli

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Coleção Self apresenta : Caminhos Neurais da Memória




Depois da Fama


Eu trocaria o guarda-roupa obeso de peças finas pelo jeans rasgado dos adolescentes despreocupados. Trocaria também o toucador e suas gavetas cheias de glamour e pó de arroz .
Apagaria art noveau, pintando o sete no muro da esquina.
Trocaria costumes, panfletos, protocolos e microfones. Transformaria meus músculos de manequim em trinados afinados, repletos de claves de sol.
Deitaria em clorofilas mansas de casa no campo com margaridas ao relento e aromas de café, despertando tardes preguiçosas.
Leria páginas abraçadas pela gramática feliz dos romances, e no fim das contas, trocaria o espelho da realidade, invadindo a dimensão tridimensional do reflexo na tentativa de realizar verdades, já que os aplausos fatigam-me e o sucesso suga meu plasma, conferindo-me o aspecto devastador das guerras helênicas em tempos de Tróia

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Laços e Abraços




Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.

É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.

E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.



E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.

Ah! Então, é assim o amor, a amizade.

Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.

E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...

Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.

Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

MARIO QUINTANA