Queridos leitores a saga que pretendo escrever é algo insusitado dentro de minha pequena possibilidade na escrita. Espero e desejo continuar com muita disciplina e coragem e, talvez essa seja uma obra inteira.
Não prometo postar todos os capítulos, porque essa história vai consumir meu tempo (que anda escasso), mas irei aos poucos informando as novidades.
Obrigada a todos que sempre me incentivaram na arte da escrita.
O som das águas e o sopro leve que o vento traz recortaram as peças desta história composta de mistério, suspense, paixão e abandono.
Quando nós descobrimos que estamos só, o inesperado acontece e de modo surpreendente realiza movimentos de felicidade, mesmo que esta seja apenas um resvalar de corações.
Lu Cavichioli
PRÓLOGO
Sul da Ilha das Medusas - 1890
O corpo da moça estava no chão de uma das enúmeras salas do casarão. Ela chorava baixinho, e eu não saberia dizer se era de dor, medo, vergonha ou nojo. Talvez um misto asqueroso dessas sensações deslizassem em sua alma.
A criada ouvindo gritos chegou esbaforida e logo foi atende-la.
Levantou-a e viu seu rosto marcado por agressões que já apresentavam alguns hematomas.
Seu corpo tremia muito e estava fragilizada, meio em choque e não conseguia responder às perguntas da camareira.
Dorí a levantou com todo cuidado e assim conseguiu que ela ficasse em pé levando-a até a poltrona mais próxima. Viu que seu vestido estava todo em farrapos e em suas pernas havia veios finos de sangue que escorriam lentamente até seus pés.
Ela gemia, balbuciando palavras indecifráveis ao mesmo tempo que apontava para a janela, mas não conseguia esboçar nenhuma palavra.
Apressada Dorí pegou o jarro d'água despejando sobre uma bacia de porcelana pintada a mão que estava ali, inerte sobre a cômoda assitindo todo o sofrimento pelo que a moça passara.
Com uma toalha macia Dorí ia lavando o rosto desfigurado da pobre e depois a colocou na banheira que já estava preparada com sais de banho e aromas curativos.
-Senhora, por favor, acalme-se. Diga-me o que aconteceu para que eu possa ajudá-la.
-Dorí, minha boa Dorí - dizia entre lágrimas, soluçando - foi ele...
Ele novamente veio até aqui esta noite, vociferando e bêbado, muito bêbado.
(...) -Hummm bem que desconfiei quando vi esta manhã uma garrafa de rum (vazia) jogada no jardim.
O casarão ficava na Praia da Lagoainha devido ao mar que era de águas mansas, porém produndas destacando um degradê azulado que parecia nunca ter fim.
O jardim praticamente separava a casa das areias que eram leves e desenhavam pequenas dunas ao redor da propriedade.
Naquela manhã, C. Macmarth decidiu que sua vida iria mudar porque muito já havia sofrido com a perda de sua mãe há dois anos, e viver ali com aquele ser imundo só aumentaria seu tormento.
Dorí a ajudou com as malas e já refeita, fez um pequeno desjejum. Só faltava pegar as jóias de sua mãe e alguns esboços de seu próprio rosto que um pescador apaixonado havia feito, presenteado-a .
Lá fora o sol anunciava mais um dia de muita pesca, romarias pelas barracas de frutos do mar e muitos barcos dançando nos braços da maré e mulheres , no vai e vem da sina feminina - um legado eterno que cada uma carrega desde o nascimento.
by Lu Cavichioli