A blogada de hoje traz um texto com ventos de abril e que estava guardadinho na gavetinha das minhas papeladas que não dou muita importância. Sabe aquelas coisinhas que a gente escreve e acha que não tem nada a ver... Pois então, é por aí a coisa. Contudo, eu arrisco pra ver se eu petisco rsrs
Lá vai para apreciação de todos que aqui vierem - obrigada!
BOA SEMANA!
Traço Vermelho
Nestes dias melancólicos de abril eu só
quero dormir. Desejo embrenhar-me nos fios macios de meu cobertor cinza
ratinho.
A chuva impiedosa alaga canteiros, ruas,
telhados... E vai de encontro às minhas lágrimas internas - aquelas lágrimas que
não molham, mas encharcam a alma de tormentos, desenhando rios salgados com
barcos encalhados no cais de um mar imaginário que poderia ter águas doces.
O silêncio das paredes, dos objetos, dos
pássaros encolhidos, do edifício ao lado, testemunham minha estátua nas mãos do
escultor de linhas e traços, e que a
cada passada de espátula fere mais e mais a mistura de sal, afeto e lágrimas. E
nessa argila descolorida reorganiza faces sem rosto. Mãos sem gestos. Olhos
nevoentos e corpo sem movimento.
Terminado o trabalho, a redoma se fecha e a
imagem esculpida, de certa forma, esboça em seu peito palpitações vermelhas.
By Lu Cavichioli

