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terça-feira, 12 de junho de 2012

Memórias de Fábulas - um mix pós-moderno




Era uma casa muito esquisita, até tinha  teto, mas dentro não tinha nada. Todo mundo podia nela entrar porque a casa tinha parede, chão e janela. A gente podia até dormir na rede e fazer xixi porque banheiro havia ali. Ela era feita com madeira, edredons e bagatelas adocicadas. Uma hora era suntuosa, outra era favela. Reboco na parede e caibros no chão batido e sofrido.



Nessa casa o lobo mau não tinha fôlego suficiente pra derrubar e nem porquinhos pra se alimentar e chapéuzinho não era vermelho, era transparente e suficientemente cautelosa na hora dos docinhos levar.
Certo dia caiu num buraco invadindo maravilhas de gatos coloridos e rainhas suculentas onde o chá era servido exatamene às 5 da tarde em mesa chapeleira , recheada de maluquices.

Correu por entre a relva vestindo capuz vermelho só pra disfarçar , porque o coelho apressado a queria raptar.

Noutro dia caiu da torre um mundaréu de cabelo trançado e aloirado, onde príncipes e ladrões roubavam a cena da mocinha desesperada.



As bruxas continuavam voando e olhando-se nos espelhos e as frutas envenenadas caiam das árvores podres  esquecidas pelos anões garimpeiros.









No silêncio da mais alta torre da terra, dormia enfeitiçada princesa, que sonhava com dois vestidos: um rosado e outro azulado. Frutos do pó de pir lim pimpim em voos graciosos de madrinhas que eram fadas.




Os príncipes reunidos na taverna embebedavam-se de sonhos enquanto suas amadas esperavam a justiça no garboso galope branco da paz.






Enquanto isso, na biblioteca das fantasias, traças contavam histórias para as carochinhas de plantão que tudo iam gravando, inventando e desenhando para quem sabe contar  num futuro nem tão distante assim que Branca de Neve, um dia se apaixonaria pelo caçador e a rainha má ficaria cativa para sempre dentro do espelho dos horrores.





De repente ouve-se um miado. Era nada de mais não... Somente uma gata, a GATA BORRALHEIRA que lustrava pisos e cetros. Dormia e acordava com pássaros e mantinha amizade juvenil com ratinhos costureiros.





Depois veio uma abóbora gigante que cantava SALAGADULA MEXICABULA BIBIDIPOBIDIBU ISSO É MAGIA  ACREDITEM OU NÃO BIBIDIPOBIDIBU... Que transformou andrajos em rendas, sedas e tules. Pena que o cristal ficou nas escadarias, tão solitário, coitadinho. Mas o pézinho outrora órfão ganhou castelos e bobos da corte em companhia real.








Agora virem a página e quem quiser que conte outra!



by Lu Cavichioli