
Os vasos estavam no parapeito da janela.
Eram rosas, violetas e crisântemos e eu os colocava lá todas as tardes. A janela parecia uma grande moldura e as flores sua mais linda pintura.
Quem passasse pela estrada, fosse de carro, ônibus ou a pé, olhava para a janela, para a casa e as cores que nela havia.
Se era uma casa, tinha uma janela, se tinha uma janela, tinha também paredes, e tendo paredes, havia uma porta, havendo a porta- tinha soleira. E assim um caminho para chegar até a soleira e entrar. Imaginem o caminho: de cada lado, via-se uma fileira de pedras, dessas grandes e brilhantes, parecendo pedra-sabão.
Em volta das pedras a natureza bordou uma relva fina como renda; e a passagem era azulejada em tons de azul. Nas paredes da entrada, os mesmos azulejos que compunham o caminho estavam amalgamados nas reentranhas dos tijolos.
E minha alma morava ali, antes mesmo de nascer.
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by Lu C.