Chegou Setembro com rosto de flor
boca de hortelã, olhos de bosque no alvorecer e,
canções de alaúde
sobre os telhados e paredes das casas
É tempo de néctar no voo das abelhas
sedentas de sorver a boca das flores -
de rodear as doces esquinas do sol
buscando coquetel alaranjado
ao longe
flertando - quem sabe -
com flautas e borboletas
libertas estas, do sono sombrio
da metamorfose
Chegou Setembro
ouçam filarmonicas de margaridas
e camélias
damas perfeitas no amor
mais que perfeito no balé
triunfal da primavera
Todos os Direitos Resevados à Lu Cavichioli
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
Primeiro contato com Laura
E a conheci num desses inúmeros cafés de Paris. Nunca achei que pudesse ir a Paris, porque minhas economias eram tão escassas e as vezes nem ir na manicure eu conseguia. Porém eis aí mais um mistério de como fui parar em Paris e por quê. Mas isso fica pra depois , porque agora vamos falar de Laura.
Era fim de tarde, outono em prenúncios já deflagrados , no entanto sua boca de ventania ainda estava meio inerte e soprava lento uma brisa aromática das folhas no chão.
Caminhei até uma mesa e não pude evitar de olhar em suas mãos. No momento ela estava lendo Isaac Azimov... Quase tive um surto, porque eu adoro esse escritor. O nome dele já é uma ficção, e suas histórias são avassaladoras. Sentei-me em uma das poltronas macias, escolhendo uma mesa que dava perfeitamente para vê-la em sua leitura. Observei que em seu colo pairava outro livro, então com minha destreza peculiar me esgueirei delicadamente e consegui ler pelo menos o nome do autor. Levei outro susto e surtei novamente, por que bem ali estava ele, o insano, o melancólico e dark Edgar Allan Poe. Uau, decididamente eu estava com sorte, porque essa moça poderia ser minha parceira de leituras. Não pude ver o título poque a dobra de seu vestido encobria quase q totalmente. deixando à mostra somente Poe, o temido "romântico sombrio".
Pedi um café e fiquei me aninhando na poltrona, com o intuito de ver algo mais que me interessasse. E em mais nem menos era se virou para mim , seus olhos eram cor de mel e a íris transmitia algumas faíscas. Fiquei tão petrificada que soltei um Bonsoir... ela sorriu e disse: - Boa noite ma cher!
Era fim de tarde, outono em prenúncios já deflagrados , no entanto sua boca de ventania ainda estava meio inerte e soprava lento uma brisa aromática das folhas no chão.
Caminhei até uma mesa e não pude evitar de olhar em suas mãos. No momento ela estava lendo Isaac Azimov... Quase tive um surto, porque eu adoro esse escritor. O nome dele já é uma ficção, e suas histórias são avassaladoras. Sentei-me em uma das poltronas macias, escolhendo uma mesa que dava perfeitamente para vê-la em sua leitura. Observei que em seu colo pairava outro livro, então com minha destreza peculiar me esgueirei delicadamente e consegui ler pelo menos o nome do autor. Levei outro susto e surtei novamente, por que bem ali estava ele, o insano, o melancólico e dark Edgar Allan Poe. Uau, decididamente eu estava com sorte, porque essa moça poderia ser minha parceira de leituras. Não pude ver o título poque a dobra de seu vestido encobria quase q totalmente. deixando à mostra somente Poe, o temido "romântico sombrio".
Pedi um café e fiquei me aninhando na poltrona, com o intuito de ver algo mais que me interessasse. E em mais nem menos era se virou para mim , seus olhos eram cor de mel e a íris transmitia algumas faíscas. Fiquei tão petrificada que soltei um Bonsoir... ela sorriu e disse: - Boa noite ma cher!
Exatamente como a conheci
sábado, 24 de novembro de 2018
Da Série - Laura me contou
APRESENTAÇÃO
LAURA
Esta será uma história um tanto egocêntrica, esdrúxula, insólita e por que não dizer em variáveis que ela poderá ser verdadeira... Pelo menos para mim.
Laura sopra em meus ouvidos situações e meandros que podem me levar a dormir, ou dançar com uma taça de vinho nas mãos, ou simplesmente desmaiar.
As vezes eu suplico para que ela não venha, não me procure e nem mande cartas, porque tem momentos que eu rasgo tudo sem ao menos ver os selos (que eu sorrateiramente, coleciono).
Acordo tão cedo que o dia ainda dorme, mas eu já estou lá, em minha ponte favorita, ouvindo os ninhos cantarem, as folhas em melodias de ventania, onde eu me sento sob a macieira branca e ali fico a destilar meu dia. Fico me perguntando como vou encarar certos rostos, e nessa dúvida , Laura chega, sorridente e linda. A vida lhe sorri de cabo a rabo. Como pode ser isso? Mas ela é assim.
Muitas revelações eu contarei a vocês, mas Laura não pode nem desconfiar.
Ela assume várias formas, dependendo de seu estado de espírito. E todas as formas são surpreendentes, extravagantes, assombrosas... mas nunca vulgar.
Quem será Laura?
Uma viajante do tempo?
Uma fada?
Uma bruxa?
Uma amiga distante?
Minha irmã?
Uma Ninfa?
Extraterrestre?
Uma simples garota do campo?
Uma executiva de sucesso?
Um fantasma?
Extraterrestre?
Uma simples garota do campo?
Uma executiva de sucesso?
Um fantasma?
... deixo a resposta pra vocês após lerem o que ela me conta!
Até a próxima, estarei por perto.
Lu C.
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arquivos secretos de Laura
domingo, 10 de junho de 2018
RASTROS ESQUECIDOS - um conto de Lu Cavichioli
"Naquelas tardes de primavera eu costumava passear pela praia colhendo conchas e resgatando minhas lembranças. Meus pés ficavam naquela areia assim como minha juventude, deixada para trás.
Pensava como aquele lugar me fazia bem. Era exatamente na primavera que eu vinha passar férias com minha avó, e quando eu chegava, era como se fizesse parte do cenário, como uma pintura onde os matizes se fixam na tela e lá ficam para sempre."
Celine resolveu viajar para a ilha, estava cansada e meio que abandonada. Na verdade queria e precisava daquele lugar, como seus pulmões necessitam de oxigênio. Seus filhos estavam no exterior. O marido falecido há dois anos.
A ilha era exatamente o que ela buscava naquele momento, um pouco de paz e sossego. Tudo parecia estar como sempre foi. A casa da avó continuava situada no mesmo local, embora estivesse fechada e abandonada.
Era uma dessas casas revestidas de madeira, ladeada por pequenas cercas com um jardim na frente. Nos fundos estava o celeiro onde seu avô costumava guardar ferramentas, alimentos para os animais e outros utensílios.
O jardim estava tomado por um matagal. A madeira que revestia a parte externa do celeiro estava para despencar e uma boa parte do telhado havia desabado... Quanto trabalho teria. De certo precisaria contratar alguém para o serviço. A casa precisava de uma boa faxina e de uma nova pintura também. O piso da sala era feito daquele assoalho onde passamos escovão para dar brilho.
O relógio com o pêndulo barulhento continuava na parede e o piano emoldurava o corredor.
Renovada pelo desejo de ficar, Celine comprou material de pintura e logo foi cobrindo a mobília com lençóis que achou na cômoda da avó. Era curioso como tudo estava exatamente como ela deixou naquela manhã que Deus levou sua alma para o céu... lembrava com carinho e pesar.
Forrou o assoalho com jornais velhos e logo iniciou a pintura.
Enquanto isso, na cidade, não se falava em outra coisa na que não fosse a presença de um homem estranho que chegara há uma semana e ninguém sabia nada sobre ele. Era um sujeito bronzeado, com cabelos e barba grisalhos e grandes olhos azuis. Aparecia sempre na hora do almoço e ali ficava a perambular com ares de capitão de fragata. Sim, parecia um homem do mar, e com certeza era.
Todos falavam dele... Cidade pequena, notícia espalhada!
O homem não dava atenção aos falatórios, e tão logo amanhecia já estava na praia com o barco cheio de peixes, tantos quantos sua rede pudesse aguentar. Esperava então os peixeiros, vendendo toda a remessa.
Alguns dias se passaram e a casa já estava quase pronta, somente o lado externo precisava de reparos, assim como o jardim.
À noite Celine lia e relia as cartas que recebia dos filhos, e lágrimas desciam-lhe pelo rosto, já com marcas do tempo. De repente ouviu um barulho que vinha do celeiro. Olhou pela janela e viu um dos varais balançando, e o cobertor que lá estava havia desaparecido.
Com medo, preferiu ficar dentro de casa a sair para verificar o que estava acontecendo.
No dia seguinte, correu até o celeiro e achou o cobertor jogado no chão, e vestígios de que alguém havia passado a noite lá. Pensou que como a casa estivesse fechada há uns cinco anos, alguém estivesse usando o celeiro para se abrigar, mas iria resolver isso mais tarde. Precisava agora contratar alguém que concertasse a porteira e o telhado.
Foi até a cidade comprar algumas mudas de flores, folhagens e algumas sementes de ervas frescas para replantar seu canteiro e o jardim da frente.
Todos comentavam a volta da neta de dona Olga... "viera sozinha" - ouvia-se! Onde estava o marido?
Talvez fosse divorciada...
Celine entrou no armazém, quando ouviu uma voz meio que conhecida:
-Bom dia Celine, não cumprimenta mais os amigos?
-Oh, desculpe, eu... quem... ROGÊ??? Olá, como vai, o que houve com sua perna?
O homem apoiava-se em muleta, pois só tinha uma das pernas.
-Tubarão! Foi há muitos anos.
Celine olhava com um misto de nojo e medo. Não gostava muito do jeito dele, aliás nunca lhe deu confiança, embora ele conservasse uma paixão platônica por ela.
Logo despediu-se não dando muita conversa. Em seguida entrou no jipe com pressa.
(...) continua
PARTE II
Os dias passavam-se rapidamente e Celine decidiu mesmo ficar na ilha... Entretida replantando suas novas mudas, não percebeu a presença de um homem a seu lado:
-Bom dia senhora, atrapalho?
Em um sobressalto, Celine virou-se e viu a figura de um homem rude, parecia que não dormia direito há dias e, curiosamente, vestia sua camisa que também havia sumido do varal na noite passada.
-O que quer, estou ocupada - respondeu lacônica.
_Trabalho. Conserto o celeiro em troca de comida e abrigo.
- Como se chama? Mora na ilha?
- Meu nome é Ted, moro aqui... ali...
O homem aparentava uns cinquenta e poucos anos. Via-se que era sozinho, talvez um mendigo.
Celine, desconfiada, revirou os olhos concordando... teve pena.
-Está bem. Tenho todo material necessário, venha eu lhe mostro.
O homem então começou o serviço, e como o fazia bem, com destreza e capricho.
Enquanto mexia no jardim, de longe, ela olhava sua fisionomia e algo lhe parecia familiar. Então resolveu caminhar até ele dizendo:
-Escute, pode ficar com o cobertor para se proteger, a noite é muito fria por aqui. Ah, e pode ficar com a camisa também, já que gostou dela.
Ted corou dizendo obrigado e pedindo desculpas.
Mais tarde levei o almoço pra ele e seus olhos invadiam os meus como se quisessem me dizer algo. Era muito estranha aquela sensação ...parecia que eu conhecia aqueles traços.
O celeiro estava parcialmente destruído e havia muito trabalho para fazer, inclusive retirar todo o lixo que ficou acumulado durante todos aqueles anos.
Ted subiu os degraus e já plantado nas vigas do telhado exibia seu peito atlético e viril, que Celine observava entre a cortina. Ele percebeu e olhou rapidamente não dando chance dela escapar. E um breve sorriso lhe saiu dos lábios indo de encontro ao de Celine. Tímidos, desviaram o olhar.
Ela temia aquela sensação, aquela lembrança nebulosa, e todos os dias o olhava sem que percebesse.
Uma noite, acordou transpirando, sentou-se ofegante sobre a cama. CELINE LEMBROU!
Lembrou daquele homem, com todo seu pavor e amor mesclado em lágrimas. Seu peito parecia que ia estourar e ela podia ouvir o louco ruído de seu coração.
-MEU DEUS... é ELE! O que farei? - Será que se lembra de mim? - Impossível...
Já não conseguia dormir. Convivia com Ted há um mês e ele sempre lhe parecendo familiar... e agora, como um relâmpago - a lembrança definitiva! Estava na verdade castigado pelo tempo, mas guardava as feições da juventude marcada pela paixão. Ele era Teodoro, o grande amor da sua vida, o homem que ela nunca esqueceu.
(...) Continua
EPÍLOGO
...Q ela nunca esqueceu, e que naquele mesmo celeiro teve sua primeira noite de amor, às escondidas.
Pela manhã foi admirar o jardim, que já estava florido das novas mudas. O celeiro quase pronto, quando Ted a surpreendeu pelas costas:
-Bom dia senhora.
A respiração de Celine ficou ofegante. Fitou seus olhos e disse:
-Por que fugiu de mim?
Ted ficou sem ação tentando disfarçar.
-Então você se lembra? Eu pensava que nunca mais fosse vê-la, andei pela ilha toda à sua procura quase a vida inteira.
-Por que mudou de nome? O que houve?
Tinham muito o que dizer e assim foram caminhando pela praia...
-Está mais bonita, mais vistosa.
Celine sorriu suavemente - engano seu, talvez você veja dessa forma.
Suas mãos se uniram e foram caminhando naquele momento único e, a sensação era como se estivessem tido uma vida inteira juntos
Ted, ou melhor, Teodoro, era seu verdadeiro amor... um nome que ela escrevera em pétala de flor , adormecida em alguma página esquecida de um livro qualquer.
Então Ted contou tudo o que lhe tinha acontecido nesse tempo que ficaram separados. Fora acusado de abandono de embarcação e de sua tripulação numa tempestade em alto mar.
Com a tempestade veio o motim. Seu imediato queria desviar a rota a fim de roubar a carga valiosa que transportavam, iludindo alguns marujos com o intuito de recompensá-los. E assim se amotinaram. Não houve como evitar o naufrágio, salvando-se Teodoro e o imediato somente, e como a carga fora toda perdida, o imediato responsabilizou o Capitão.
Teodoro foi julgado pela corte marcial, entretanto conseguiu fugir... desaparecendo e dado como morto.
Hoje vive de um canto para outro, simplesmente como Ted, o pescador.
Celine ouviu tudo boquiaberta e com o coração dilacerado. Iam casar-se na época em questão, mas este incidente os separou em definitivo. Então ela retornou à capital, onde conheceu seu marido.
- Nunca deixei de te amar, Celine. Casei-me, não tive filhos, Luíza, minha esposa era estéril, fraca na saúde. A pobre morreu tuberculosa... - e você, casou-se?
- Não havia escolha. Meu pai arranjou-me um pretendente, mas nunca o amei, apenas me acostumei a ele. Era um bom homem, tratava-me bem e com muito carinho. Nos seus últimos dias de vida dispensei todos meus cuidados a ele. Fora vítima de um AVC que o paralisou, quase não falava direito, tinha que dar-lhe banho, alimentá-lo e outras tarefas. A vida foi passando, perdi meus pais, meus filhos foram para o exterior estudar, e o que restou foi a casa da ilha.
-Fale-me de seus filhos, eu os adotaria se pudesse - disse sorrindo com amor.
Celine baixou os olhos e sorriu timidamente parecendo ainda aquela adolescente.
-Sim, Enzo tem 32 anos, é o mais velho. Formou-se em Arquitetura, e Ana Clara, a caçula, está com 28 , é fotógrafa profissional, e seus trabalhos têm grande repercussão na Europa.
A ultima carta que recebi de ambos é que estavam juntos passando férias no Canadá. Eles costumavam vir nos natais, mas ultimamente são apenas suas letras impressas num frio papel que aqueço as vezes, quando me sinto única no mundo. Mas tenho meu trabalho, vivo das vendas e exposições de meus quadros, você sabe, sempre gostei de pintar. Tenho uma Galeria de Arte no Continente.
O tempo havia parado, bem ali na praia, parecendo um filme em sépia onde a platéia fosse somente o mar, seu grande expectador... Porém o destino ainda reservava mais surpresas, e dele não podemos fugir.
Foram para casa. O aroma do café invadia a varanda, quando Celine disse que tinha uma forte revelação a fazer. Ele ficou inerte ali, e meio que sem ação quando ela lhe disse:
- Ted, Enzo é seu filho. Lembra-se daquela noite no celeiro... íamos nos casar em breve...
Ted ou Teodoro, agora já não importava, porque a felicidade invadia seu peito de tal forma que ele
desatou a correr em direção ao mar pelas areias finas que subiam com a dança de seus pés, caindo de joelhos na orla.
Deus havia se lembrado dele e o presenteou com a semente do amor.
Agora ele era, simplesmente PAI!
Direitos Autorais adquiridos*
Pensava como aquele lugar me fazia bem. Era exatamente na primavera que eu vinha passar férias com minha avó, e quando eu chegava, era como se fizesse parte do cenário, como uma pintura onde os matizes se fixam na tela e lá ficam para sempre."
Celine resolveu viajar para a ilha, estava cansada e meio que abandonada. Na verdade queria e precisava daquele lugar, como seus pulmões necessitam de oxigênio. Seus filhos estavam no exterior. O marido falecido há dois anos.
A ilha era exatamente o que ela buscava naquele momento, um pouco de paz e sossego. Tudo parecia estar como sempre foi. A casa da avó continuava situada no mesmo local, embora estivesse fechada e abandonada.
Era uma dessas casas revestidas de madeira, ladeada por pequenas cercas com um jardim na frente. Nos fundos estava o celeiro onde seu avô costumava guardar ferramentas, alimentos para os animais e outros utensílios.
O jardim estava tomado por um matagal. A madeira que revestia a parte externa do celeiro estava para despencar e uma boa parte do telhado havia desabado... Quanto trabalho teria. De certo precisaria contratar alguém para o serviço. A casa precisava de uma boa faxina e de uma nova pintura também. O piso da sala era feito daquele assoalho onde passamos escovão para dar brilho.
O relógio com o pêndulo barulhento continuava na parede e o piano emoldurava o corredor.
Renovada pelo desejo de ficar, Celine comprou material de pintura e logo foi cobrindo a mobília com lençóis que achou na cômoda da avó. Era curioso como tudo estava exatamente como ela deixou naquela manhã que Deus levou sua alma para o céu... lembrava com carinho e pesar.
Forrou o assoalho com jornais velhos e logo iniciou a pintura.
Enquanto isso, na cidade, não se falava em outra coisa na que não fosse a presença de um homem estranho que chegara há uma semana e ninguém sabia nada sobre ele. Era um sujeito bronzeado, com cabelos e barba grisalhos e grandes olhos azuis. Aparecia sempre na hora do almoço e ali ficava a perambular com ares de capitão de fragata. Sim, parecia um homem do mar, e com certeza era.
Todos falavam dele... Cidade pequena, notícia espalhada!
O homem não dava atenção aos falatórios, e tão logo amanhecia já estava na praia com o barco cheio de peixes, tantos quantos sua rede pudesse aguentar. Esperava então os peixeiros, vendendo toda a remessa.
Alguns dias se passaram e a casa já estava quase pronta, somente o lado externo precisava de reparos, assim como o jardim.
À noite Celine lia e relia as cartas que recebia dos filhos, e lágrimas desciam-lhe pelo rosto, já com marcas do tempo. De repente ouviu um barulho que vinha do celeiro. Olhou pela janela e viu um dos varais balançando, e o cobertor que lá estava havia desaparecido.
Com medo, preferiu ficar dentro de casa a sair para verificar o que estava acontecendo.
No dia seguinte, correu até o celeiro e achou o cobertor jogado no chão, e vestígios de que alguém havia passado a noite lá. Pensou que como a casa estivesse fechada há uns cinco anos, alguém estivesse usando o celeiro para se abrigar, mas iria resolver isso mais tarde. Precisava agora contratar alguém que concertasse a porteira e o telhado.
Foi até a cidade comprar algumas mudas de flores, folhagens e algumas sementes de ervas frescas para replantar seu canteiro e o jardim da frente.
Todos comentavam a volta da neta de dona Olga... "viera sozinha" - ouvia-se! Onde estava o marido?
Talvez fosse divorciada...
Celine entrou no armazém, quando ouviu uma voz meio que conhecida:
-Bom dia Celine, não cumprimenta mais os amigos?
-Oh, desculpe, eu... quem... ROGÊ??? Olá, como vai, o que houve com sua perna?
O homem apoiava-se em muleta, pois só tinha uma das pernas.
-Tubarão! Foi há muitos anos.
Celine olhava com um misto de nojo e medo. Não gostava muito do jeito dele, aliás nunca lhe deu confiança, embora ele conservasse uma paixão platônica por ela.
Logo despediu-se não dando muita conversa. Em seguida entrou no jipe com pressa.
(...) continua
PARTE II
Os dias passavam-se rapidamente e Celine decidiu mesmo ficar na ilha... Entretida replantando suas novas mudas, não percebeu a presença de um homem a seu lado:
-Bom dia senhora, atrapalho?
Em um sobressalto, Celine virou-se e viu a figura de um homem rude, parecia que não dormia direito há dias e, curiosamente, vestia sua camisa que também havia sumido do varal na noite passada.
-O que quer, estou ocupada - respondeu lacônica.
_Trabalho. Conserto o celeiro em troca de comida e abrigo.
- Como se chama? Mora na ilha?
- Meu nome é Ted, moro aqui... ali...
O homem aparentava uns cinquenta e poucos anos. Via-se que era sozinho, talvez um mendigo.
Celine, desconfiada, revirou os olhos concordando... teve pena.
-Está bem. Tenho todo material necessário, venha eu lhe mostro.
O homem então começou o serviço, e como o fazia bem, com destreza e capricho.
Enquanto mexia no jardim, de longe, ela olhava sua fisionomia e algo lhe parecia familiar. Então resolveu caminhar até ele dizendo:
-Escute, pode ficar com o cobertor para se proteger, a noite é muito fria por aqui. Ah, e pode ficar com a camisa também, já que gostou dela.
Ted corou dizendo obrigado e pedindo desculpas.
Mais tarde levei o almoço pra ele e seus olhos invadiam os meus como se quisessem me dizer algo. Era muito estranha aquela sensação ...parecia que eu conhecia aqueles traços.
O celeiro estava parcialmente destruído e havia muito trabalho para fazer, inclusive retirar todo o lixo que ficou acumulado durante todos aqueles anos.
Ted subiu os degraus e já plantado nas vigas do telhado exibia seu peito atlético e viril, que Celine observava entre a cortina. Ele percebeu e olhou rapidamente não dando chance dela escapar. E um breve sorriso lhe saiu dos lábios indo de encontro ao de Celine. Tímidos, desviaram o olhar.
Ela temia aquela sensação, aquela lembrança nebulosa, e todos os dias o olhava sem que percebesse.
Uma noite, acordou transpirando, sentou-se ofegante sobre a cama. CELINE LEMBROU!
Lembrou daquele homem, com todo seu pavor e amor mesclado em lágrimas. Seu peito parecia que ia estourar e ela podia ouvir o louco ruído de seu coração.
-MEU DEUS... é ELE! O que farei? - Será que se lembra de mim? - Impossível...
Já não conseguia dormir. Convivia com Ted há um mês e ele sempre lhe parecendo familiar... e agora, como um relâmpago - a lembrança definitiva! Estava na verdade castigado pelo tempo, mas guardava as feições da juventude marcada pela paixão. Ele era Teodoro, o grande amor da sua vida, o homem que ela nunca esqueceu.
(...) Continua
EPÍLOGO
...Q ela nunca esqueceu, e que naquele mesmo celeiro teve sua primeira noite de amor, às escondidas.
Pela manhã foi admirar o jardim, que já estava florido das novas mudas. O celeiro quase pronto, quando Ted a surpreendeu pelas costas:
-Bom dia senhora.
A respiração de Celine ficou ofegante. Fitou seus olhos e disse:
-Por que fugiu de mim?
Ted ficou sem ação tentando disfarçar.
-Então você se lembra? Eu pensava que nunca mais fosse vê-la, andei pela ilha toda à sua procura quase a vida inteira.
-Por que mudou de nome? O que houve?
Tinham muito o que dizer e assim foram caminhando pela praia...
-Está mais bonita, mais vistosa.
Celine sorriu suavemente - engano seu, talvez você veja dessa forma.
Suas mãos se uniram e foram caminhando naquele momento único e, a sensação era como se estivessem tido uma vida inteira juntos
Ted, ou melhor, Teodoro, era seu verdadeiro amor... um nome que ela escrevera em pétala de flor , adormecida em alguma página esquecida de um livro qualquer.
Então Ted contou tudo o que lhe tinha acontecido nesse tempo que ficaram separados. Fora acusado de abandono de embarcação e de sua tripulação numa tempestade em alto mar.
Com a tempestade veio o motim. Seu imediato queria desviar a rota a fim de roubar a carga valiosa que transportavam, iludindo alguns marujos com o intuito de recompensá-los. E assim se amotinaram. Não houve como evitar o naufrágio, salvando-se Teodoro e o imediato somente, e como a carga fora toda perdida, o imediato responsabilizou o Capitão.
Teodoro foi julgado pela corte marcial, entretanto conseguiu fugir... desaparecendo e dado como morto.
Hoje vive de um canto para outro, simplesmente como Ted, o pescador.
Celine ouviu tudo boquiaberta e com o coração dilacerado. Iam casar-se na época em questão, mas este incidente os separou em definitivo. Então ela retornou à capital, onde conheceu seu marido.
- Nunca deixei de te amar, Celine. Casei-me, não tive filhos, Luíza, minha esposa era estéril, fraca na saúde. A pobre morreu tuberculosa... - e você, casou-se?
- Não havia escolha. Meu pai arranjou-me um pretendente, mas nunca o amei, apenas me acostumei a ele. Era um bom homem, tratava-me bem e com muito carinho. Nos seus últimos dias de vida dispensei todos meus cuidados a ele. Fora vítima de um AVC que o paralisou, quase não falava direito, tinha que dar-lhe banho, alimentá-lo e outras tarefas. A vida foi passando, perdi meus pais, meus filhos foram para o exterior estudar, e o que restou foi a casa da ilha.
-Fale-me de seus filhos, eu os adotaria se pudesse - disse sorrindo com amor.
Celine baixou os olhos e sorriu timidamente parecendo ainda aquela adolescente.
-Sim, Enzo tem 32 anos, é o mais velho. Formou-se em Arquitetura, e Ana Clara, a caçula, está com 28 , é fotógrafa profissional, e seus trabalhos têm grande repercussão na Europa.
A ultima carta que recebi de ambos é que estavam juntos passando férias no Canadá. Eles costumavam vir nos natais, mas ultimamente são apenas suas letras impressas num frio papel que aqueço as vezes, quando me sinto única no mundo. Mas tenho meu trabalho, vivo das vendas e exposições de meus quadros, você sabe, sempre gostei de pintar. Tenho uma Galeria de Arte no Continente.
O tempo havia parado, bem ali na praia, parecendo um filme em sépia onde a platéia fosse somente o mar, seu grande expectador... Porém o destino ainda reservava mais surpresas, e dele não podemos fugir.
Foram para casa. O aroma do café invadia a varanda, quando Celine disse que tinha uma forte revelação a fazer. Ele ficou inerte ali, e meio que sem ação quando ela lhe disse:
- Ted, Enzo é seu filho. Lembra-se daquela noite no celeiro... íamos nos casar em breve...
Ted ou Teodoro, agora já não importava, porque a felicidade invadia seu peito de tal forma que ele
desatou a correr em direção ao mar pelas areias finas que subiam com a dança de seus pés, caindo de joelhos na orla.
Deus havia se lembrado dele e o presenteou com a semente do amor.
Agora ele era, simplesmente PAI!
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
Uma inspiração inusitada
Sabor Imortal
França
– século XVIII
Mounsier Michel Le Roux pertencia à burguesia francesa, membro de uma classe social que lhe
dava o poder de cidadania, conferindo-lhe certos privilégios sociais, políticos
e econômicos.
Nascido em “Champagne”
– uma cidade ao norte da França e que ficava a 145km a nordeste de Paris fez
dele um produtor de vinhos, e havia nele uma particularidade exagerada em criar
sabores especialíssimos para os nobres, e já estabelecido na vida com 35 anos
de idade (ainda), queria formar uma família.
Em uma dessas noitadas com amigos, em um Boulevar
au vin, ele
Conheceu Henriette Poison, de uma beleza extrema,
a moça era cortejada em todo tempo.
Le Roux ficou tão encantado que começou a
persegui-la por meses, tornando-se o guardião – como ela mesmo o chamava. Esse
relacionamento ficara tão sério que em 1718 casaram-se em uma capela, an petit
comitê em recepção fechada.
A tal dama
com quem ele casara era na verdade uma cortesã, já com 25 anos. Ficara órfã aos
10 e fora criada por uma pobre mulher
que vivia de esmolas nas escadarias de Notre Dame, até que com 17 anos caiu na
vida noturna de Paris.
Le Roux era tão encantado por ela que a amava
mais que a si mesmo.
Em uma
dessas noites insones, ele sentou-se na cama e ficou admirando a beleza de sua
esposa, que quando dormia possuía feições de anjo. E foi justamente nesse
momento que lhe veio à mente uma ideia que, sem nunca poder imaginar, lhe
traria mais poder e mais riqueza.
O que estaria pensando o jovem Le Roux?
E por que sua esposa seria o alvo dessa ideia?
França
– século XXI
Isabelle de La Croix era proprietária de uma das pâtisseries mais charmosas de
Montmartre – a La Petit Mitrons – uma doceria cor de rosa especializada em
tortas doces, tendo como destaque a fruits-rouge.
Ela almejava também possuir uma Cave au Vin, e
isso vinha lhe custando horas de trabalho a fio.
Em poucas semanas conseguiu um empréstimo e
transformou uma velha Boulangeries em sua loja de vinhos, na charmosa Rue Montorguieil, onde o antigo
proprietário lhe disse que ela fez um ótimo negócio, pois aquele prédio fora
inaugurado pelo pâtisserie real em 1730, e que todo e qualquer turista que
viesse a Paris, faria parada obrigatória, agora que tinha se tornado uma cave au
vin. Se bem que com sua experiência com doces, poderia usar a parte da frente
como uma pequena confeitaria. Quem sabe ela ampliaria seu negócio?
O interior da loja era em estilo “Belle Époque”, evocando a elegância das décadas passadas,
visitadas por figuras ilustres, como nada mais nada menos que Coco Chanel e
Audrey Hepburn.
Isabelle não entendia muito de vinhos, seus
sabores e cores, e muito menos quais os tipos de pratos que poderiam acompanhar
com uma boa taça de suas especialidades. No entanto, a moça tinha sorte mesmo,
porque havia um amigo de faculdade que se tornou enólogo e que certamente seria
seu sócio algum dia.
Em uma noite, os dois resolveram ficar após o
expediente para fazerem uma listagem sobre o que deveriam vender e também abrir
um dia por semana para degustação. Depois que fizeram um esboço de tudo,
Isabelle pede a Gerard que coloque o lixo para fora. Mas antes, o rapaz foi até
a porta dos fundos da loja para um cigarrinho e um minuto de descanso, e foi
ali que ele fez uma descoberta valiosa.
Ao sentar-se em um caixote, relaxou fazendo
pressão com as costas sobre uma antiga parede de tábuas. E logo que encostou
desabou com caixote e tudo. Assustado gritou... rapidamente pegou seu celular e
acendeu a lanterna, girando-o por todo o lugar.
O rapaz ficou estático e boquiaberto, abrindo e
fechando os olhos, não acreditando naquilo que via. Gerard deparou-se com uma
antiga adega, quase intacta e, que parecia ter sido construída há séculos. No
entanto as prateleiras ainda estavam em seu devido lugar, cobertas por uma
grossa camada de poeira e algumas teias de aranha... Para seu espanto, iluminou
a prateleira mais próxima e viu que estava toda preenchida por garrafas
deitadas em seu sono sepulcral.
Gerard continuou estático, coçando a barba cerrada
e com os olhos ainda esbugalhados, resolveu puxar uma das garrafas.
Delicadamente ela veio ao seu encontro e ele soprou para ver o rótulo, que
infelizmente estava ilegível. Meneou a cabeça balbuciando algo como:
- Seria bom demais... Quase acreditei que
realizaria meu sonho. Aliás... acho que estou
em um sonho.
De repente, ouve Isabelle chamar:
-Ei Gerard, onde você está? Resolveu ir embora e
me deixar sozinha a estas horas?? Onde está seu maluco? – Belle gritou.
Um som abafado chegou até a moça e ela não
compreendia porquê.
E novamente ele gritou:
-BELLE, venha até o fundo da loja, depressa.
Quando Isabelle chegou ao local, levou as mãos à
boca arregalando os olhos de pavor.
-Gerard, cadê você?
- Estou aqui embaixo... venha que eu te seguro e
ajudo a descer.
-Que lugar é esse? – Exclamou Belle muito
assustada.
-Sei lá... encostei nas tábuas lá de cima e tudo
desabou. Veja Belle, olhe bem de perto... Isso era uma adega, provavelmente do
século XVII se não me engano.
Estudo vinhos há anos e vi muitas desse tipo na internet.
Estudo vinhos há anos e vi muitas desse tipo na internet.
_Mas, mas... por que não me informaram a respeito
disso?
-Talvez não soubessem... E olha, se alguém
desconfiasse, nunca teria vendido o prédio. Isso é uma mina de ouro, garota.
_Mina de ouro, essas velharias empoeiradas e fedidas?
- Ora Belle não seja ignorante, vamos sondar tudo amanhã
bem cedo, e se eu estiver certo, ficaremos ricos minha amiga.
-Do que está falando seu maluco?
-Amanhã!
Isabelle não conseguiu dormir direito e logo cedo já
estava na loja, embora ainda estivesse fechada para o público. Gerard chegou em
seguida.
-Muito bem Gerard, pode começar a me explicar seus
enigmas... Sabe que não gosto de decifrá-los.
-Sorrindo, o moço foi até a cozinha e enquanto
preparava um cappuccino, contou uma história de amor para sua amiga.
-Sente-se Belle, aproveite seu cafezinho au
chocololat e ouça sobre uma pesquisa que
fiz quando ainda estudava sobre vinhos e suas peculiaridades.
Certa vez li num artigo que um fidalgo da época
tinha criado um vinho especialíssimo que conquistou toda Paris. Ele tinha
criado um espumante, sendo que naquele tempo isso ainda não existia, mas como
entendia de processos de fermentação, arriscou.
-E deu certo?
- Se deu certo? Ele ficou famoso por essa
descoberta.
_ Mas não estou vendo nada de história de amor
nisso.
Gerard sorriu – calma!!
Na verdade, ele criou o vinho em homenagem à sua
esposa e o apresentou à sociedade local na festa de aniversário de seu primeiro
ano de casamento. Fez tanto sucesso que a produção não vencia as vendas, e nem
os pedidos comerciais.
Dando um gole generoso em seu cappuccino Belle
exclamou ironicamente:
-Ah muito romântico né meu amigo...
_ Calma garota, tem mais!
Não enrola Gerard, quero descer na adega e ver o que
vou fazer com toda aquela versão de vinhos/vinagres.
-AHAHAHAHAHAHAH – estou vendo que não entende nada
de vinhos. As safras antigas são as melhores, meu bem.
Ahh chega disso, vou descer, você me acompanha?
_ Lógico! Mas você não quer saber o resto da
história?
_ Não... outra hora, precisamos abrir a loja e
ainda tenho que abastecer minha cozinha lá na doceria.
E lá se foram para a adega.
¨*¨¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨¨¨**¨*¨*¨*¨*¨
Epílogo
Naquela manhã os dois amigos limparam quase toda adega, e classificaram os vinhos
por suas especialidades.
Gerard estava frustrado, mas ainda acreditava em
suas convicções e estudos. Ele não iria
desistir.
Em um mês tudo estava em seu devido lugar. A loja
de vinhos tinha uma ótima clientela, e em dias de degustação havia fila na rua
e Belle ainda colocou mais lenha na fogueira, acrescentando alguns queijos que
acompanhavam na degustação.
Tanta era a procura que aos domingos eles resolveram
abrir a loja esticando até o sol se pôr, e nesse dia, somente Gerard foi
trabalhar.
Quando fechou, ele não foi embora, desceu na adega
e ali ficou, sentado, pensando... pensando e desejando que seu sonho se
realizasse.
Aproveitou então para arrumar (ainda) umas caixas
que não tiveram tempo de olhar, e que estavam em uma prateleira lateral,
diferenciada das outras.
Entrementes Gerard dizia:
_ Bem, já que estou só, hoje vou dar cabo dessa
prateleira, limpar, jogar esses caixotes podres no lixo e verificar esses
vinhos que me parecem bem ruins, haja vista pelas garrafas tão envelhecidas. Se
bem que tem somente duas aqui... bem estranho. Por que estariam escondidas
nesse caixote? Ah, não importa acho que essas vão para o lixo. Belle vai gostar
disso – sorriu com deboche puxando uma das garrafas.
Soprou, passou a mão no rótulo e novamente teve
aquela sensação estática, porém multiplicada por mil.
Suas pernas falharam e ele quase caiu ali mesmo, e
num misto de terror e alegria, gritou:
_ SOU O HOMEM MAIS SORTUDO DO MUNDO!!
Gerard deparou-se com um vinho que tinha por nome –
BRÜT LE ROUX – 1880 – ESPUMANTE ROSÈ – e mesmo que estivesse quase ilegível ele
decifrou o tesouro que tanto procurava há anos e que pensava que não existisse
mais, e que somente em suas pesquisas pudesse ver o rótulo de que tanto o
deixou perplexo, sem contar no sabor que provavelmente o deixaria em êxtase.
Rótulo e conteúdo – Joia rara em tempos modernos.
Simplesmente porque nesse rótulo estava impressa a
foto de Madame Le Roux ...
Henriette Poisson Le Roux, - a cortesã que
transformou a vida de um dos maiores produtores de vinho da época e que tornou
seu sabor tão imortal quanto sua beleza.
· ** Nota da autora:
·
Esse conto foi inspirado em uma
garrafa que eu fiz, mais especificamente pela imagem em decoupagem.
·
Os trechos em negrito foram extraídos
do livro “ Minha Doce Paris”, com o único objetivo de ilustrar meu texto –
evidenciando estabelecimentos e seus nomes totalmente verídicos.
·
Os personagens são todos fictícios.
Lu Cavichioli
Janeiro/2018
domingo, 2 de julho de 2017
Uma imagem - 140 caracteres
Desafio de imagem proposto pelas amigas
Silvana
Mari
Silvana
Mari
Pregando Peças
É inútil a queda
o próximo pode ser você
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uma imagem 140 caracteres
O Rosto do Medo (mini conto)
Francy's e Louize resolveram viajar. Escritores precisam de silêncio.
Alugaram uma cabana com penumbra e ruídos noturnos.
Francy's sonhava com abismos.
Louize dormia na varanda com seu copo de vinho.
Certa madrugada acordaram num porão. Vultos as rodeavam e lhes diziam:
- Sejam bem vindas, agora vocês fazem parte de nossos rostos.
As moças olharam uma das paredes e viram a estampa esquálida de seus rostos em molduras antigas.
Olhos de sépia, sorriso perdido, boca em cadeados.
Papéis esquecidos no rodapé...
By Lu Cavichioli
Floripa - junho/2017
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
DICAS SIMPLES PARA ESCREVER UM CONTO!
Oi Pessoal, esse é meu canal no youtube, junto com minha parceira Patty. Dá uma curtida pra gente e aproveita pra se inscrever. Obrigada!!!
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A Culpa é das Ideias,
by Lu e Patty
domingo, 21 de agosto de 2016
Blog novo na área
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Andei sumida né... Hehehe... mas olha eu aqui de novo!!
Estou de blog novo com uma parceria muito legal, e claro que é ligado à literatura. Convido a todos para conhecer e seguir se assim desejarem.
Abraços de saudades a todos meus amigos blogueiros e não pensem que esqueci de vocês e muito menos parei de escrever.
Só precisei de um tempo!
Bacios
Meu afeto
A culpa é das ideias
Estou de blog novo com uma parceria muito legal, e claro que é ligado à literatura. Convido a todos para conhecer e seguir se assim desejarem.
Abraços de saudades a todos meus amigos blogueiros e não pensem que esqueci de vocês e muito menos parei de escrever.
Só precisei de um tempo!
Bacios
Meu afeto
A culpa é das ideias
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apresentação do novo blog
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Pegadas do Passado
Maria Helena era filha única e sempre foi criada como uma princesa. Cercada de todo mimo e delicadezas, tanto de pai quanto da mãe.
Seu pai sabia dosar de maneira perfeita o mimo e a realidade, mostrando à moça que o mundo fora de casa era bem diferente daquele que ela conhecia. Já a mãe, a enchia de frescuras, super proteção e esquisitices do tipo defende-la perante as outras crianças, criando nela uma espécie de tábua de salvação , ao invés de ensinar e fazer experimentar defesas que fossem de sua própria autoria.
E assim a Maria Helena foi se acostumando com toda essa boa vida e ficou acomodada dentro de casa, só estudando e se divertindo com amigos e namorados.
El vivia no mundo dos sonhos, adorava sair com seus primos, levando-os a um lago que ficava perto da casa deles. Lá as crianças corriam, brincavam de esconder e Leninha ficava sentada na relva observando, sorrindo e tirando fotos.
Nessa época ela tinha 20 anos e tudo que sabia da vida, estava na casa dela, em seus namorados fúteis e que ela dispensava em uma semana , seus familiares e seus passeios aos domingos com suas amigas de colégio.
Pobre Maria Helena, nem sonhava que sua vida daria uma guinada para o sofrimento.
Naquela manhã após ter sofrido choro e sintomas psicossomáticos no dia anterior, ela teve uma espécie de surto, ou pânico. Sua avó não estava mais com ela aquela semana, e ficaria uns 20 dias fora. Filipe acordou cedo e como de costume, tomou seu café da manhã para logo mais pegar o ônibus da empresa. Ela nem dormira, e seu medo aumentara infinitamente tanto que o choro explodiu e o desespero tomou conta dela, implorando ao seu marido que não a deixasse sozinha, porque ela iria morrer.
Ele por sua vez, com toda paciência do mundo lhe dizia:
-Amor, eu preciso trabalhar, não tem como ficar com você. Vai dar tudo certo.... qualquer coisa chama dona Ana, ela tem te ajudado tanto.
_Mas , mas, ela é só uma senhora que cuida do marido doente, o que ela pode fazer?? Já toquei muitas vezes a campainha do apartamento dela, tenho vergonha.
E dizendo isso, agarrou-se à perna de Filipe, sentada do chão, gritando:
-NÃO, NÃO ME DEIXA SOZINHA PELO AMOR DE DEUS!
_Leninha pare com isso, vou perder o ônibus e assim se desvencilhou indo para a porta. Saiu rapidamente.
Maria Helena se viu sozinha, abandonada, desconsolada, apavorada e com uma criança recém nascida que ela não sabia o que fazer com ela.
Sorte que Ana Clara ainda dormia, mas e depois, quando ela acordasse?
Leninha correu para o banheiro e vomitou até quase desfalecer. Sentou-se no chão frio e pôs-se a chorar copiosamente. Então começou a pedir a Deus que mandasse alguém na casa dela, uma amiga, uma pessoa qualquer - sei lá... Ela dizia.
Não tinha nem telefone em casa pra ligar pra avó ou o pai que estava no trabalho. Se quisesse ligar, precisava pedir pra vizinha, a tal dona Ana.
Aquele dia foi o pior da sua vida, e precisou mesmo chamar dona Ana.
(continua)...
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Histórias de Leninha
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Desprezo de mãe
Maria Helena, a Leninha estava doente, muito doente. Mas seus anjos da guarda estavam cuidando dela.
Sua avó, passara algum tempo ajudando-a no que podia.
Seu pai ia vê-la todas as tardes após o trabalho.
Seu marido, acalentava seu coração e pediu ajuda médica
E sua mãe, onde estava??
OMISSA!
De quando em vez dava o ar da graça em tarde falsas de sorrisos e falas mentirosas.
Chegava lá e logo começava a se coçar, coisa estranha não acham? Mas era a pura verdade.
D. Luíza enchia-se de urticárias toda vez que ia na casa de Leninha. .. Que triste situação.
Essa mulher deveria ter problemas sérios, mas parecia normal aos olhos dos outros.
Só pra ilustrar e me fazer entender quanto aos atos dessa pessoa, mãe de Leninha, vejam esse episódio após uma semana que nascera Ana Clara:
Leninha precisou ser submetida a uma cesariana porque Ana Clara ficou sentada até o final da gravidez, até aí tudo bem. Passada uma semana da cirurgia, Leninha estava deitada no sofá da sala de sua casa e sua mãe na cozinha, quando esta entra vociferando essas palavras:
Escuta, tá na hora de levantar desse sofá, encostar a barriga no fogão e fazer comida pro teu marido viu?
Leninha viu-se oprimida mais uma vez, sentindo-se a pior criatura do universo.
Que mãe falaria assim com sua filha que passara por cirurgia ha uma semana e que também estava passando por uma severa depressão pós parto? Alguém me explique por favor!! Pois foi assim mesmo que se passou.
Nesse dia Leninha sentiu-se mal, vomitou muito e chorou quase a tarde toda. Queria morrer na verdade.
Ana Clara chorava de fome e lá ia ela amamentar, mas ia com muita raiva, tanto que a bebe contorcia-se em cólicas quando mamava. As duas sofreram muito nesse período...
A mãe se aproximou e disse para Leninha:
-Se eu souber que você judia da Clarinha, venho aqui e te esbofeteio e te quebro todos os dentes.
A campainha tocou! Era César, o pai de Leninha. _ Oh, que alívio, pensou... meu pai chegou.
Ele veio caminhando com aquele sorriso generoso, estampando no rosto feliz, porque ia ver a filha e a neta.
Quando entrou no quarto viu Leninha aos prantos. Olhou para D. Luiza, esta lhe cumprimentou friamente e saiu.
-O que foi filha, chorando de novo?
-Ai, pai, me ajude, não sei o que tenho, por favor me ajude.
Ele a abraçou com ternura e contou rapidamente um episódio triste que acontecera com uma parente da sua família, tentando ajudar a filha e ver que o problema da outra pessoa era maior que o seu. Pedindo calma a ela, dizendo palavras de alento e sempre dando carinho.
Leninha acalmou-se e dizia que estava se esforçando, mas que não entendia o que estava se passando com ela.
Rapidamente contou ao pai as malvadezas da mãe, e seu pai lhe dizia para não levar em consideração porque ela estava doente também. Mas Leninha não tinha condições para entender aquilo.
Seus pais ficaram até Filipe chegar da empresa. Despediram-se e foram embora.
No dia seguinte bem cedo, Leninha teve um surto.
(...) continua
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Leninha em :Sensações Amargas
No episódio anterior vimos que Leninha fora expulsa de casa pela própria mãe.
Ao chegar em sua casa o medo tomou conta de seu corpo e mente e ela refugiou-se em seu quarto, enquanto seu marido trazia o bebezinho e todas as coisas que lhes pertencia.
Quando deu por si, Leninha esta vomitando no banheiro de fora com a porta trancada. Seu marido a chamava , mas ela não respondia. Até que depois de muito insistir ela abriu a porta com o rosto desfigurado, lágrimas pela face e sem forças disse ao marido:
-Estou com medo, me ajude...
- O que você tem, porque está assim?
Felipe ficou olhando pra ela tentando entender o que acontecia, enquanto a levava pelo braço (carinhosamente) até seu quarto, onde repousava no carrinho , Ana Clara.
Leninha não conseguia cuidar da bebê e chamou pela avó, e foi assim que Nitinha, (apelido carinhoso dado por Leninha à sua avó), veio passar uns tempos em sua casa para ajudá-la. Um anjo que Deus colocou em seu caminho.
D. Nitinha fazia tudo, até dava mamadeira de madrugada porque Leninha não queria amamentar.
Fazia comida, cuidava da roupa e da casa, até que Filipe contratou uma diarista porque a vózinha não estava dando conta.
Leninha só chorava, vomitava, não conseguia comer... De 60 kg na gravidez, rapidamente caiu para 48. Tinha mau hálito constantemente, cólicas intestinais, insônia e toda sorte de somatizações justamente por causa da depressão pós parto. Até que numa tarde, seu marido a levou para uma psicóloga e lá foi ela fazer a tal terapia que de pronto em nada ajudava.
Em um domingo pela manhã, sua avó estava na cozinha, Ana Clara dormia e Filipe estava jogando bola com os amigos. Leninha viu-se tomada de um desespero e saiu pela rua sem rumo. Foi andando pelo bairro, assim como se não se importasse com mais nada.
Quando Filipe chegou e perguntou por ela, D. Nitinha ficou apavorada porque não a tinha visto até então. O marido entrou no carro e saiu na disparada pelas imediações para ver se a encontrava, até que a viu andando, meio cambaleando umas 3 ruas acima da sua, do outro lado da avenida.
Ele parou o carro, abriu a porta e a chamou:
-Ei amor, aonde vai? Entra no carro, vamos!
Ela continuou a caminhar sem nada dizer.
Ele parou o carro, a pegou pelo braço, fazendo-a entrar.
-Onde você estava indo, quer nos matar de aflição?
Leninha estava fora do ar, e sem se importar respondeu:
-Estava só andando...
Quando chegaram em casa, sua avó a abraçou dizendo:
Onde foi que você se meteu??? Saiu de casa sem me avisar, quase fiquei louca!
- Minha querida porque você chora tanto?? Sente falta da tua mãe né?
-Não sei vó, acho que sim... Sinto-me muito infeliz... queria me atirar da janela e jogar a bebê também.
Sua avó arregalou os olhos colocando a mão no peito num gesto de mal estar.
-Você não pode continuar assim,o que você quer que eu te faça?
-Não tem nada pra fazer vó, eu tenho muito medo.
Assim os dias, as semanas foram se passando até que D. Nitinha disse que ia voltar pra sua casa , porque o vô Nicola estava lá e precisava dela. E assim foi.
Felipe tentava conversar com Leninha explicando a situação. Ela até entendia que sua avó precisava voltar, mas o que ela não entendia era porque tinha que ficar ali, com aquele pavor e aquela bebê que ela não sabia direito o que fazer.
Passou o fim de semana e chegou a temida segunda feira em que Felipe teria que voltar ao trabalho.
Esse dia seria o pior na vida de Leninha até agora, ainda bem que Deus estava na vida dela, senão eu nem sei o que teria acontecido.
(...) continua
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as dores de Leninha
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Leninha e o poço da depressão
No episódio anterior vimos que Leninha tivera sua filha , correndo tudo bem com ela e com Ana Clara, chegou o dia de voltarem para casa, onde o quarto da bebe a esperava com pompas, rendas, lacinhos e brinquedos felizes.
Leninha estava feliz aparentemente, mas em seu íntimo crescia um medo com boca devoradora e olhos famintos. Tudo parecia diferente aos seus olhos... a cozinha não tinha o mesmo cheiro alegre dos temperos. A sala era uma caverna sem fim e seu quarto: UM REFÚGIO!
Sem mais nem menos as lágrimas começaram a dar o ar da des (graça). Perdeu a fome, vomitava constantemente e quase não dormia.
Ana Clara chorava muito por causa das cólicas e quando ia mamar chorava mais ainda porque Leninha não queria amamentar. Ela andava estranha e seu marido começou a filmar até que desconfiou que ela estava com depressão pós parto. Levou-a a um psiquiatra e foi confirmado o diagnóstico.
Conversando em família foi decidido que Leninha ficaria em casa de sua mãe até ela melhorar com a medicação e tal, e assim foi. Até que um dia pela manhã, Leninha tomou seu antidepressivo e começou a passar mal... Sua língua começou a inchar, teve tonturas e enjoo e foi correndo contar pra sua mãe que estava fazendo limpeza na sala de visitas:
-Mãe, eu to passando mal, acho que é a medicação da psiquiatra...
Ana Clara dormia (felizmente).
Quando Leninha terminou de proferir essas palavras sua mãe teve uma espécie de surto. Começou a gritar e esbravejar , esfregando com mais força o piso da sala, dizendo a ela que não queria saber, que era pra ela ir pra cozinha fazer almoço.
Leninha morria de medo da mãe, então respirou fundo e foi beber um copo de água e enquanto isso ouvia os gritos histéricos da mãe que dizia:
_-Quis o filho, teve o filho... Agora fica enchendo o saco da família inteira. Você não presta pra nada, só pra dirigir carro.
Dizendo isso, jogou-se no sofá e aparentou que estava passando mal. Ligou pra vó de Leninha , depois ligou pro pai da moça e por fim pro marido. Mobilizou 3 pessoas num curto espaço de tempo, sendo que ela poderia ter resolvido a situação com um simples olhar de atenção para com a filha que não estava bem. E começou a fazer seu costumeiro teatro, parecia que ela ia ter o chilique e não a filha que estava sentindo-se mal.
Leninha ficou tão estarrecida que seu mal estar sumiu, seu corpo começou a produzir adrenalina , por certo.
Quando esta chegou na sala ouviu da mãe essas palavras:
__Arruma tuas coisas, pega tua filha e vai embora pra tua casa. Já liguei pro teu marido.
Continua...
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decepção e ferida de morte
domingo, 17 de janeiro de 2016
Leninha & Carminha - Histórias Verídicas
Escrevi alguns episódios contando um pouco da história (breve) dessas duas amigas.
Hoje vou contar um capítulo triste da história de Leninha que nunca imaginou passar por isso, já que sua vida era tão feliz, diferentemente da de Carminha, (que contarei em outro episódio).
Como eu já disse, as histórias que elas escreveram foi fugaz, e cada uma seguiu seu caminho.
Leninha casou-se, formou-se em odontologia, mas nunca exerceu, preferiu ser dona de casa por algum tempo e foi aí que engravidou. Foi a maior alegria na família, tanto dela como na do marido, mas uma pessoa não ficou nada feliz com isso... E pasmem: a referida pessoa foi sua MÃE!
Imaginem sua desilusão quando ela chegou na casa dos pais, super feliz e disse que estava grávida. Seu pai, rapidamente se levantou abraçando-a e dando os parabéns. Já a mãe, ficou séria e disse para o pai:
__ Se prepara, nossa filha está grávida!
Alguém aí entendeu essa frase? Acho que ninguém né... Muito menos Leninha.
Sua mãe era uma pessoa controladora, manipuladora e autoritária, sem falar na obsessão que tinha por ela. Logo via-se que não era uma pessoa normal... para agir daquele modo...
Nesse dia Leninha levou pela cara um balde de água fria e assim foi até uma tarde em que ela já estava quase pra dar a luz e estava (infelizmente na casa da mãe) , ela teve uma dor e parecia que tinha chegado a hora. Deitou-se e ligou para o marido .
Sua mãe começou a ter chiliques e ao invés de acalma-la ficou pior que ela. Pode?
Leninha foi levada para sua médica e após um exame foi revelado alarme falso... Até que depois de alguns dias nasceu sua filha, a linda Ana Clara.
Quando Leninha saiu a sala de parto, meio grogue ela esperava ver o rosto de sua mãe lá fora, mas não, ela viu duas primas e uma tia que era da parte de seu marido. Olhou , sentiu um beijo na testa e apagou, acordando pela manhã onde iria amamentar sua bebe pela primeira vez.
Depois de um banho e já bem recuperada ela estava amamentado quando abre a porta de seu quarto e quem surge??? A mãe dela com aquela cara de "EU PERDI ALGUMA COISA"?
Chegou sorridente com uma caixinha nas mãos, que continha um par de brincos de pérola, um mimo de ouro muito lindo e delicado.
Leninha olhou, sorriu tristemente porque ela não queria ouro, queria algo mais. Queria atenção, presença, abraços e colo. Mas não teve nada disso...
Continua...
(e vem muito mais por aí)
pobre Leninha.
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histórias que a vida escreve
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Uma imagem - 140 caracteres
Pétalas
Sou pele, sal e saudade
desfiando sonhos -
desenhando esperas!
Minha participação no desafio poético das amigas
Mari
Silvana
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desafio poético,
uma imagem 140 caracteres
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Ser feliz... Está tudo dentro da memória, é só procurar
Ultimamente tenho caminhado por meandros aleatórios, pictóricos , históricos e mentecaptos.
Nesses meandros tenho encontrado sombras do passado, histórias descoloridas e outras nem tanto, porém continuo minha caminhada, porque navegar é preciso.
Eu sou uma pessoa de fé, ando com Deus o tempo todo e Ele me ilumina. Portanto, vou seguir em alamedas com sóis e céus , flores e sorrisos. Chega de ver e/ou desenhar fantasmas pelos cantos da casa, ela não merece... Muito menos eu.
A primavera chegou trazendo estradas outras onde eu sigo com meu embornal de saudade, esperança, alegria, caridade, tolerância, AMOR, e FÉ.
Páginas em branco estou folheando e nelas vou rabiscar o que mais me aprouver.
A vida (ainda) me reserva lindos momentos, eu creio.
Memórias & Descobertas - caminhos a seguir.
by Lu C.
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desenhos da memória
domingo, 4 de outubro de 2015
Meandros pela memória (desaguando dores)
Como se reconhece uma pessoa que antes era tudo de bom e de uma hora para outra se revela?
Se temos uma ligação afetiva então, a coisa fica muito difícil, bem complicada mesmo de suportar.
Estou em um momento da minha vida em que abdiquei de certa pessoa, há quase 30 anos. Sofri muitas injustiças, desamparo, humilhação, desprezo e com isso gastei minha cota reserva de lágrimas.
Hoje já não choro mais, não tenho mais ligação nenhuma com ela, e isso é de algum modo muito estranho, porque outrora, eramos super unidas.
Aprendi a me libertar de sua imponência, sua arrogância e autoritarismo... Daí olho pra ela e pergunto:
QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ HEIN?
Teve uma pessoa que sofreu muito junto comigo. Passamos momentos iguais de caras e bocas e desprezo.
Sabe gente, eu não consigo me conformar como uma pessoa que tem uma super ligação com você, simplesmente não te ajuda quando você precisa. Porque precisei muito dessa pessoa, mas muito mesmo e ela até veio a mim, para "ajudar" ahahahahaha.... mas se vocês soubessem...
Como pode uma pessoa ajudar sem vontade? Se dentro do coração faz tudo forçado e mal grado?
Pois foi bem assim, todas as vezes que precisei. E hoje... E hoje?
Não pensem que mudou, só envelheceu, mas não mudou. Continua fingindo.
Peço a Deus que me limpe de todas essas "doenças" que me perturbam e me fazem mal.
Está perto já ...
Deus é Pai!
Bom domingo
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