Na pauta de hoje:
MARIA IDEAL
As Marias eram apenas três menininhas comportadas que estrelavam telas de cinema em sépia, totalmente descoloridas, porém em cada interior conservavam as cores que adoçaram a boca do sabiá carcará, aquele que pega mas não mata e nem come, apenas adula.
As Mariazinhas viviam sua vidinha costumeira e um tanto tediosa, e no entanto eram cantadoras de cantigas de roda e brincavam de amarelinha quando se encontravam num arrastapé local em algum lugar do planeta.
Um dia me contaram sobre Maria Ideal, mocinha comportada, educada e letrada. Nasceu pronta a moçoila, com perninhas bronzeadas e sorriso Colgate.
Em suas lembranças dançavam alguns retratos antigos como um balaio onde ela repousava (ainda), seu espírito de criança em tardes alaranjadas colhendo fruta no pé.
Soube que ela viajou léguas, mudou de endereço e virou deusa de rara beleza, estraçalhando corações.
Contudo, ela gostava mesmo era de tecer teias férteis e decorativas que transformava em mandalas mágicas e seus poderes eram parecidos com os da Família Maia, aqueles findadores de mundos.
Maria Ideal conjugava verbos e adagas amalgamando álbuns fotográficos, mesmo porque sua figura lembrava Danae a deusa da fonte que dava de beber aos pobres de espírito.
Contam também que possuía , Maria Ideal, uma voz maviosa, macia e totalmente clean e sem pigarrear uma só vez, declamava sons alusivos de poetas arcaicos, prosaicos e maduros na estatura do ser.
Ela morava num castelo fincado no horizonte, e de lá espiava o mundo.
Aguardem as outras Marias, ou em edição extraordinária mais um tiquinho da vida de Maria Ideal.
Vem muito mais por aí!
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by Lu C.







