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domingo, 4 de agosto de 2013

A Orígem de Sinhazinha

A Orígem de Sinhazinha - O Pesadelo e a Viagem

 


 


Naquela manhã, misteriosamente o sol que veio iluminar o dia de Lustron foi o  violeta, e no quarto de Sinhazinha ouviam-se gritos de pavor. Seus pais correram para lá e a viram sentada na cama, peito arfando com a face lívida e os olhos meio esbugalhados.

Sua mãe correu em sua direção pedindo calma a ela enquanto o pai trazia em taça de cristal o sumo da tranquilidade, que ela sorveu num gole só. Em seguida contou aos pais que teve um sonho muito ruim e que estava com medo. Nesse meio tempo ela olhou pela janela e viu o sol violeta achando que ainda era noite e sonolenta deitou-se.

Seu pai lhe perguntou se ela não iria se levantar porque já se fazia dia.
A moça com olhar assombrado indagou sobre o sol rosado e seu pai lhe explicou que de tempos em tempos havia uma mudança astral nas esferas dos satélites de Lustron que potencializava o sol violeta, encobrindo o rosado.

A mãe por sua vez, supersticiosa, dizia que os homens de areia acordavam e em marcha de guerra atacariam o lado vital do planeta, onde eles viviam em suas colônias.

Ouvindo isso, Sinhazinha gritou novamente e disse aos pais que havia encontrado esses homens de areia e que tinha andado entre eles. Contou também como eram disformes e amedrontadores.

Seu pai ralhou com as duas porque isso era bobagem e que no lado sombrio de Lustron não existia vida, só tempestades hialurônicas com raios fulminantes.

-MAS EU VI, PAPAI... EU VI! HAVIA MUITOS, E QUANDO EU ESTAVA VOLTANDO PARA A FLORESTA ORGÂNICA, UM DELES SAIU DO LUGAR E ENTROU NA CAVERNA.

Sua mãe a abraçou dizendo:Você teve um pesadelo e sua mente criou tudo isso. Teu pai é o grande culpado porque vive dizendo pra você  NUNCA pisar nas montanhas arenosas. Fique calma.




Depois desse episódio,a moça nunca mais foi a mesma e seus pais decidiram então envia-la para o satélite Púrpura Cintilante, onde havia criações de borboletas terrestres. Ali ela faria sua vida.
Assim sendo, Sinhazinha embarcou para seu futuro, rumo ao encontro do Novelo de Lã.





Nos próximos episódios:

O Encontro de Sinhazinha com o Novelo de Lã


A Semente do Cajueiro


A Trilogia -  Epílogo


By Lu Cavichioli

domingo, 9 de junho de 2013

Duplo Sentido


Do alto da escada rolante e o vi, era lindo!

Finalmente eu o encontrara, depois de uma incansável procura. Todos o olhavam, mas não como eu, pois estava enfeitiçada.

A escada rolava em direção ao piso térreo e eu não me dava conta disso, era como se estivesse flutuando e fosse descer exatamente onde ele estava.

Curiosamente ele também me olhava. Parecíamos feitos um para o outro. Parecia até que ao nascer ele já esperava por mim.

Tinha um brilho especial e as pessoas  levemente o tocavam. Que ciúme!

Eu continuava a descer, quando enfim coloquei meus pés no térreo meu olhar estancou. Estava mais perto agora. Meu coração disparou e senti calafrios. Já meio sem forças percebi que ele estava mais perto e seu brilho me atraía descaradamente.

Sem tardar eu o toquei. Seu coração funcionava perfeitamente e ao menor toque ouvi sua voz.

A boca se abriu e eu pude ver seu interior, seus músculos e nervos, todos reluziam. Sua pele metálica era fascinante.

Finalmente ele me abraçou e pude sentir toda sua maciez e aconchego, percebendo que dali em diante seríamos inseparáveis.

 

Eu e meu automóvel!

 

Por Lu Cavichioli
 
 
 

domingo, 8 de julho de 2012

Kepler, a Lua surreal de Pandora


arte de imagem Graça Lacerda em Pandora


De todas as ciências, a matemática sempre foi uma espécie de trator intelectual agindo drástica (mente) em mim. Na escola eu levava reguadas na cabeça e puxões de orelhas por causa dessa maldita e rabugenta proprietária dos números.

Nunca me dei bem com números, nem cálculos e muito menos com fórmulas, essas abobrinhas generalizadas e tão exatas que deixam qualquer um atormentado, e “desneuralizado”.  (Ainda bem  que  a licença poética abre alas para meus neologismos desconcertantes- ufa!)

Em uma dessas madrugadas alopradas eu sonhei com esse cara aí, o Kepler e sua  física celeste”.

Lembro que era de noite e o céu estava limpo, escuro e repleto de balões  desses em que a gente entra e vai dar um passeio nas estrelas. Eram muitos e dava até  certo pavor olhar aquela dança metafísica e colorida.
Eu estava maravilhada com o balé e o mais assustador é que eu esticava a mão e podia tocar os balões. Muito surreal... Mas o que eu não esperava é que entre os balões existisse uma esfera luminosa, inquebrável e arrogante. Eu disse arrogante? DISSE!! Justamente porque eu não conseguia toca-la.  Mas, acreditem ou não num ímpeto desastrado eu voei e fui cair justamente na Lua desgarrada entre seus filhos -  os ditos balões.

Eu tinha caído aos trancos e barrancos,  mas não sentia dor nenhuma porque eu voava em espírito, livre de todas as dores e males.  Lá em cima, na esfera arrogante eu era branca, quase transparente. Meus movimentos eram refinados e meus pés flutuavam  e as cores dos balões passavam por mim como brisa.

Continuei deslizando feliz quando me deparei com a figura de uma mulher nua, de pele alva e cabelos cor de fogo. Ela estava sentada em uma pedra e segurava nas mãos uma caixa de prata. Aproximei-me . Ela hesitou! Eu a olhei fixamente e tive medo porque ela rodeou a pedra sumindo nas estrelas. Porém a caixa ficou sobre a pedra...

Senti a vontade imediata em abrir a caixa, mas eu  me lembrei da matemática que era exata e eu inexata e desativada.

Os balões continuavam a rodear-me e a Lua surreal começou a girar rapidamente e eu vi relógios e seus ponteiros escravos andarem ao contrário e todos os números gargalhando sobre meus neurônios imbecis que só conheciam o abecedário que só  sabiam formar palavras e as palavras só sabiam formar frases e as frases só aprenderam a gerar parágrafos, e então apavorada eu percebi que Kepler estaria em tudo porque tão somente era exato, definido e sem possibilidade de erros. Ele e sua mal falada filha adotiva - a matemática, já que Pitágoras cansou das cornucópias frutíferas  de um pentagrama esquecido nos séculos da humanidade.

Acordei espantada , mas feliz porque Pandora desapareceu pra sempre. Ela e sua caixa que só continham males , sombras e mentiras. Contudo ficou uma dúvida:

Por que Pandora sumiu deixando a caixa pra mim? Será que o segredo de Pandora era aquilo que Kepler chamava de razão astronômica da física, onde os males espalhar-se -iam pelo universo e os números ficariam mais acessíveis à esta pobre cabecinha - a MINHA?

Talvez...

Texto dedicado a Pitágoras, o Pai da Matemática e a Kepler, o Pensador das Estrelas.

By Lu Cavichioli

São Paulo/ julho/2012






segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Noite dos Tempos






(Tive esse sonho no ano de 2000!)
Sentei-me na cama. O peito arfando e a testa molhada.


Logo que o rádio relógio tocou olhei imediatamente para os digitais, que exibia um vermelho desbotado, posto que ainda sonolenta, visualizava em meio à leve penumbra que envolvia meu quarto, números, que gritavam: _oito horas da manhã!
Então sem demora levantei respirei fundo dirigindo-me à porta que estava fechada.
Quando abri, saí no corredor e vi minha empregada que passava apressada vestindo um uniforme nada habitual. Usava na cabeça aquelas toquinhas ridículas com rendinhas e laços de fita acetinada, culminando num todo listrado de azul e branco, avental do mesmo tecido, meias soquetes e sapatilhas brancas. Olhei-a meio desconfiada, virei a direita esperando encontrar minha sala de estar, quando fui surpreendida por uma grade que dava acesso a uma escada que por fim levaria à sala.

À minha direita, cortinas esvoaçavam ... Enfim quando resolvi descer as escadas olhei para baixo e vi três salas. Parei, segurei firme na mão da criada puxando-a em minha direção, indagando:
__Onde estou? Que lugar é este?
__Desculpe, senhora, mas... Está em sua casa!?
Dito isto, soltei-a de qualquer maneira e pus-me a contemplar o trio de salas, amplas em sua totalidade. Duas salas de visitas, diferenciadas, e ao longe a sala de jantar.

Ainda não tinha conseguido descer as escadas, estava meio atônita e petrificada. Num ímpeto, projetei meu corpo para frente e pensei:"_ vou descer... é agora ou nunca. Então comecei a descer, quando ouço bem atrás de mim um choro de criança... Olhei e vi um rosto de maquiagem leve,fino corpo vestindo um avental branco e trazendo nos braços um bebê rosado e muito bem cuidado, que ao olhar prá mim, sorriu como uma estrela em noite enluarada.
Não pude conter-me, acariciei seu rosto, suas mãozinhas, que neste momento ansiavam por meus braços. Surpresa e comovida, olhei para aquela moça e perguntei:
__Quem é você, e o que faz com este bebê aqui?
A moça olhou-me com indignação, respondendo:
__Bom dia... é... sou a babá, e este, seu filho.
Este golpe foi pior que as três salas, a sacada e aquele uniforme sem graça de Maria. Neste momento eu não sabia se estava no último degrau ou se já tinha colocado os pés em terra firme.

Quando dei por mim estava sentada em uma das poltronas ouvindo um ruído que vinha detrás de uma porta vai e vem . Levantei-me rapidamente, empurrei a portinhola e saí na copa. Mesa posta, uma desjejum de fazer inveja! Frutas, leite, sucos, frios , queijo, croissant, geléia...

Tudo era muito estranho, mas eu , de certa forma, estava gostando daquilo. Então pude ver agora de onde saía o ruído que ouvira instantes atrás. Em pé ao redor de um balcão instalado no centro da cozinha, estava outra jovem, de certo agora uma cozinheira, picava lentamente alguns legumes. Olhou-me dizendo:
__Bom dia, não se preocupe, já estou fazendo a sopinha do bebê, vou colocar bastante cenoura como pediu.
Assenti com a cabeça, balbuciando um gemido: "_ahan”

Resolvi continuar minha exploração e logo ouvi um burburinho vindo de fora. Corri e saí em um quintal... enorme... com jardim e tudo.
Passou por mim neste momento uma jovem, linda, cabelos solto , pretos, olhos escuros e pele bronzeada. Deu-me um beijo e disse:
__oi mamãe, onde estava? Está atrasada para sua aula de natação.
NATAÇÃO??????
Eu odiava natação e morria de medo de piscinas. Foi quando vi, bem na minha frente, umas delas. Enorme, e... Cheia de gente.
Parecia uma festa do Havaí... Uma loucura!
Saí andando por este jardim como uma desorientada, perdendo a noção do tempo e espaço. Ao longe, avistei aquele bebê, juntamente com três senhoras. Corri até lá pedindo ajuda:
__Por favor, ajudem-me! Quero sair daqui... quero ir para casa.
Uma delas aproximou-se de mim dizendo:
_Fique calma, está em sua casa.

Olhei-a extremamente desesperada. Foi então que tive a maior e a mais extraordinária experiência de toda minha vida.
Avistei uma cadeira, bem no meio do jardim... corri, sentei-me nela e imediatamente esta cadeira foi girando, em câmera lenta...
foi subindo para o ceú, girando lentamente... Subindo, e eu vi nesta hora figuras angelicais de todos os tipos, formas e rostos. Uma mais linda que a outra. Depois o movimento giratório tornou-se mais rápido e logo estava eu em um túnel nebuloso... ( não dá para imaginar que sensação fantástica e aterrorizante que eu estava experimentando)
Continuava girando e girando cada vez mais rápido, até que a cadeira ficou em posição normal, eu fui descendo lentamente e quando dei por mim, estava em minha cama, em meu quarto, porta fechada, olhar no relógio: Um digital vermelho que ressonava oito horas da manhã!

Cheguei à uma conclusão: Foi realmente um sonho, ou um fenômeno?
Estava em outra dimensão encontrando-me com meu outro eu??
Não sei dizer. Só sei que nunca mais esqueci esta experiência.
Mas de uma coisa estou certa:
Existem os mistérios, porém, somos tão frágeis criaturas, que não valeria a pena tal explicação. Mesmo porque nossa mente
não alcançaria tal revelação.






Coleção: Self

By Lu Cavichioli

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Momentos dentro da memória




Liberta-me, sou mulher!

Por que me atam em grilhões, por quê? Nasci mulher, sou divina na essência, grata na permanência etérea desta vida enquanto sangue.
Liberta-me, sou fêmea. Preciso respirar, meus poros sufocam ante a perversa mania de poder.

Às vezes, quero voar, mas nasci com braços, então crio asas imaginárias e vôo infinitivamente em desatino
Buraco negro, intrépido carrasco.

Choro meu desalento. Confino esperanças em telas acesas que logo apagam nas atitudes plebéias.

Enfim, foi somente desabafo. Um grito cego, cambaleante.
Eu sou meu próprio sol!

by Lu C