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terça-feira, 2 de julho de 2013

Meu Refúgio


Os vasos estavam no parapeito da janela. Eram rosas, violetas, crisântemos, margaridas... eu os colocava lá todas as tardes. Era como se a janela fosse uma grande moldura, e as flores sua mais linda pintura.
Quem passasse pela estrada, fosse de carro, ônibus ou a pé, olharia para a janela, para a casa e as cores que nela havia...

E por estas e por outras, acabei sonhando, e nos faz de conta, alastraram-se estas presenças oníricas:

”Se era uma casa, tinha uma janela, se tinha uma janela, tinha também paredes, e tendo paredes, havia uma porta, havendo a porta, tinha-se a soleira... e assim um caminho para chegar até a soleira e entrar. Imaginem o caminho... de cada lado, via-se uma fileira de pedras, dessas grandes e brilhantes, parecendo pedra-sabão. Em volta das pedras a natureza bordou uma relva fina como renda; e a passagem assumia pegadas azulejadas em tons de azul. Nas paredes da entrada, os mesmos azulejos que compunham o caminho  estavam amalgamados nas reentranhas dos tijolos.
E minha alma morava ali, antes mesmo de nascer”.

by Lu Cavichioli

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Boreal (almas no hemisfério alado)


Um dia sonhei que fazia parte da eternidade e que flutuava como purpurina em fogo-fátuo, mas logo despertei olhando direto pra janela. De repente sentei-me na cama atordoadamente maravilhada. O perfume do violeta invadia as cortinas, que loucas, manchavam-se de vinho, e toda energia do universo adentrava meu quarto pintando as paredes de constelações.

Andrômeda, Orion , Aquarius, Ursa Maior embalando a menor, todas vestidas de luz em seu berço/galáxia.

Quando dei por mim, percebi que as tinha absorvido, e meus poros refletiam a magnitude da Estrela Alfa.

Seria eu parte da constelação ou ela parte de mim?
Fechei os olhos e tudo voltou ao normal, exceto meu corpo, que jazia hirto nos lençóis, enquanto minha essência soltava-se em noturnos ventos.

Coleção: Para ler e sonhar
Lu Cavichioli

26/02/06