Os vasos estavam no parapeito da janela. Eram rosas, violetas,
crisântemos, margaridas... eu os colocava lá todas as tardes. Era como se a
janela fosse uma grande moldura, e as flores sua mais linda pintura.
Quem passasse pela estrada, fosse de carro, ônibus ou a pé, olharia para a janela, para a casa e as cores que nela havia...
Quem passasse pela estrada, fosse de carro, ônibus ou a pé, olharia para a janela, para a casa e as cores que nela havia...
E por estas e por outras, acabei sonhando, e nos faz de conta,
alastraram-se estas presenças oníricas:
”Se era uma casa, tinha uma janela, se tinha uma janela, tinha também paredes, e tendo paredes, havia uma porta, havendo a porta, tinha-se a soleira... e assim um caminho para chegar até a soleira e entrar. Imaginem o caminho... de cada lado, via-se uma fileira de pedras, dessas grandes e brilhantes, parecendo pedra-sabão. Em volta das pedras a natureza bordou uma relva fina como renda; e a passagem assumia pegadas azulejadas em tons de azul. Nas paredes da entrada, os mesmos azulejos que compunham o caminho estavam amalgamados nas reentranhas dos tijolos.
E minha alma morava ali, antes mesmo de nascer”.
by Lu Cavichioli

