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sábado, 4 de maio de 2013

Recordações de uma Menina de Tranças


 
 
 
 
AQUI ESTÁ MINHA VIDA


Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.
 
(Cecília Meireles)

             


 
Naquele dia eu havia ganhado um vestido azul de florzinhas e um sapato preto de verniz que foram meus companheiros na maior festa que minha infância presenciou.

A palavra ” quatrocentão” ecoava através das paredes de minha casa e toda aquela agitação fazia-me sonhar de olhos abertos, enquanto eu procurava decifrar o que esta palavra queria dizer.

Para minha alegria, uma de minhas irmãs levou-me ao centro da cidade para assistir a tal comemoração. O ano era 1954, o sol de janeiro anunciava um feriado e eu estava vestida com roupa de festa, afinal eu estava indo para um aniversário.

O viaduto do chá estava apinhado de filhos desvairados da paulicéia de Mário de Andrade. Do alto de meus 7 anos eu aplaudia os 400 anos de minha cidade. Para mim o mundo todo estava ali; em cada rosto, em cada sorriso. E o brilho do verniz que saía de meus sapatos refletia toda a felicidade em ser uma menina de tranças, princesa encantada no palco da história paulistana.


A comemoração era tão grande que já não cabia mais em terra, então eu olhei para o céu descobrindo a existência do milagre. Porque das nuvens caíam flocos, pequenas fatias brilhantes que saltavam no para quedas da mais fina prata. Pois as calçadas, os automóveis, as pessoas, os parques e todo o resto cobriram-se de chuva... Da chuva de prata que dos céus caía.


 By Lu Cavichioli
 
*texto dedicado para  tia Disa que presenciou o acontecimento*
 

EU MAIS ELA



 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Fábrica de Histórinhas

Sabe, deu vontade de contar como surgiu a Fábrica de Histórinhas.




Um dia eu achei em meus cadernos ,onde anoto palavras e frases que me vem à cabeça, um título inusitado . Lembrei que há algum tempo eu o havia escrito, mas desenvolver estava difícil.
Eis o próprio:


Romeu e Julieta na Terra do Nunca


Olhei, li, re(li) e pensei: "Caraca, esse título está aqui um tempão e eu até rabisquei algumas linhas.... Mas agora vou dar um talento nessa história."

E assim foi. Daí eu não parei mais, porque é muito divertido misturar personagens, inventar outros e inserir no texto. Criar atmosferas diferentes com gostinho das já conhecidas e tal.

Depoi escrevi sobre as princesas e até a Chapéuzinho vermelho entrou na dança.
O conteúdo das histórinhas é avesso e hilário ao que já se conhece e isso torna a "coisa" interessante.

Dia desses, borboletas reviraram meu estômago e eu criei a saga: A Sinhazinha, o Cajueiro e o Novelo de Lã.  Essa histórinha é bem surreal, bem ao meu estilo - coisas de Lu... rs. Mas querem saber?
Eu gosto demais dessa saga porque as personagens se misturam, se transformam e se envolvem . Justamente porque uma depende da outra pra existir.
Pra quem gosta de ler e sonhar indo além do além, essa histórinha vale a pena.

Pra quem me conhece sabe que estou aberta a críticas também, porque elogios todo mundo gosta e diz amém, Mas as críticas precisam existir(desde que feitas com respeito e critérios), porque faz a gente crescer, aprender com o outro e até estender minhas idéias.

Comentem da maneira que acharem por bem!

Obrigada a todos que perdem um pouquinho do seu tempo lendo a Fábrica de Histórinhas.
Quem quiser curtir, acesse a página ao lado, logo aqui na side bar.

Valeu!

Lu C.




segunda-feira, 29 de abril de 2013

Carta escrita em 2070






  "Estamos no ano de 2070, acabo de completar os 50, mas a minha aparência é

  de alguém com 85.

  Tenho sérios problemas renais porque bebo  pouca água. Creio que me resta pouco tempo.

 
  Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.

  Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente.

  Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu

  podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora.

  Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.

  Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira.

  Agora devemos raspar a cabeça para a manter limpa sem água.

  Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira.

  Hoje os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma.

  Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA água, só que ninguém

   ligava; pensávamos que a água jamais se podia terminar.

 

  Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão

  irreversivelmente contaminados ou esgotados.

 

  Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos

  por dia por pessoa adulta.

  Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta

  grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços

  sépticos (fossas)como no século passado porque as redes de esgotos não se

  usam por falta de água.

  A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela

  desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já

  não têm a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera.

  Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.

  As infecções gastrintestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias

  são as principais causas de morte.

  A industria está paralisada e o desemprego é dramático.

  As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te

  com água potável em vez de salário.

  Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas.

  A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele uma jovem de 20 anos

  está como se tivesse 40.

  Os cientistas investigam, mas não há solução possível.

  Não se pode fabricar água,o oxigênio também está degradado por falta de

  arvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.

  Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como

  conseqüência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.

  O governo até nos cobra pelo ar que respiramos.137 m3 por dia por

  habitante e adulto.

  A gente que não pode pagar é retirada das "zonas ventiladas", que estão

  dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia

  solar,não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35

  anos.

  Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio que

  é fortemente vigiado pelo exercito,a água tornou-se um tesouro muito

  cobiçado mais do que o ouro ou os diamantes.

  Aqui em troca,não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a

  registrar-se precipitação,é de chuva ácida; as estações do ano tem sido

  severamente transformadas pelas provas atômicas e da industria

  contaminante do século XX.

  Advertia-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso.

  Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o

  bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável

  que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água

  que quisesse, o saudável que era a gente.

  Ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a água?

  Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me

  culpado,porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente

  ou simplesmente não tomamos em conta tantos avisos.

  Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida

  na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a destruição do

  meio ambiente chegou a um ponto irreversível.

  Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse

  isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta terra!"

 

  Documento extraído da revista biográfica "Crônicas de los Tiempos" de

  Abril de 2002.

 

Autor desconhecido

 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Fábrica de Histórinhas

O Cajueiro e o Feiticeiro

Depois que voltou de Lustron, Sinhazinha recebeu um convite mais do que especial.
Ela chegou tarde da noite e um pouco cambaleante por conta das doses de uísque que distribuíam lagartas e borboletas em sua cabeça afastada do mundo exterior.

Sinhazinha


Eu sabia (em segredo) das escorregadelas da mocinha desamparada e tristonha, que fazia de seus goles intermitentes  da tal bebida gótica, um paraíso de anjos com face de porcelana.
Ela veio tropeçando nas touceiras da entrada de seu sítio tipo cidade fantasma, até alcançar a varanda e, finalmente exausta de seu bafo de onça, caiu madura em sua cadeira de vime pendurada no teto.

Sentou-se ali contemplando um punhado arredio de estrelas que faziam questão de cintilar somente pra ela. Feito isto, virou-se para as samambaias afim de re(ver) suas lagartinhas coloridas...

 Pobre Sinhazinha! Nada viu além de pupas grávidas... Sentiu um arrepio ao perceber uns vultos de vento que transitavam arrastando folhas e gravetos. O frio da madrugada arrastou-a para dentro da casa, e os mesmos vultos se ocuparam em fechar a porta porque a bela fera caiu ali, no sofá mais próximo... Apagando de vez!

Do outro lado da ponte outro convite chegava e desta vez a vítima era  Novelo de Lã, que um dia foi borboleta colorida e hoje altiva e ainda (arrogante) sustenta a figura de Mariposa. Achando-se rainha da noite e suas luzes.

Mariposa Negra


Esta Mariposa era diferente das demais - aquelas, vulgares e de asas pretas, opacas e sentimentais.
Esta tinha um poder psíquico e gostava de "salvar" humanos e seus  traumas. De pernas finas caminhava sobre saltos entre 15 a 20cm que a faziam flutuar de quando em vez, justamente pela leveza da poesia que trazia nas asas. Sim, nas asas! Estas eram cobertas por um negro véu rajado de turquesa delineada em penetrantes brilhos degradês.
Saltitou de contentamento ao ler o convite...


Cajueiro



Há 300 metros da casa da Sinhazinha "jazia" frondoso e um tanto convencido (ainda) de sua copa, O Cajueiro, que conseguia abraçar  uni(versos) naquele céu robótico e frio que ficava interligado em suas raízes bem humoradas.

Quando o primeiro raio de sol incidiu sobre o rosto amassado da Sinhazinha, ela abriu seus olhinhos sentindo que dentro de sua cabeça haviam bigornas descontroladas com dores de parto.
Ela precisava desligar aquele som e ao mesmo tempo tinha que controlar os espamos que vinham de seu estomago de avestruz.
Antes de abrir o tal envelope que continha o convite ela foi encher a banheira e lá se enfiou em borbulhas jogando a ressaca no tapete ao lado.
Ao sair das bolhas de arco íris vestiu seu roupão de gatinhos e foi para a cozinha fazer um chá e, finalmente, acompanhada pela neblina quente que emitia o jasmim da xícara ela abriu o envelope... Que dizia:


Feiticeiro

O nobre Feiticeiro e o Cajueiro hermafrodita convidam para seu enlace matrimonial, a realizar-se na terceira lua do mes dos ipês , na Capela da Fazenda "Índio quer Banana"

 onde Cabralzinho (aquele que tem neurônios colados com cola quente) , era capataz.
Agora, detalhe: Ela, a Sinhazinha seria uma das madrinhas, bem como a Mariposa.

Sinhazinha dançou uma valsa com a xícara de chá, enquanto a Mariposa (do outro lado da ponte), espichou-se com asas de batman pousando no lustre, exclamando: Oh céus!

(....) aguardem a festa de casamento e a transformação do Cajueiro.

by Lu C.




sábado, 20 de abril de 2013

A Mansão dos Gatos


ATO  I -  A DESCOBERTA




De longe eu avistava os portões. Era de um azul macilento, exibindo letras góticas ,bordadas no cinza esbranquiçado gasto pelo tempo.

Eu caminhava rápido, sentindo o hálito cruel da noite que engolia as batidas sôfregas do meu coração. O vento penetrava meus ossos, fazendo gemer as articulações quando me dei conta que estava plantado em frente ao casario.

De construção lúgubre, oferecia aos olhos um espantoso cenário do mais nobre terror hollywoodiano. Forcei os portões que abriram sem nenhuma resistência, e um raio laminal   deu-me boas vindas. Meio atordoado pelo estrondo percebi uma escada que dava certamente para a sala principal. Gritei então um ô de casa e fui entrando, e logo ouvi um gélido: BOA NOITE!!!!!! No alto da escada vi uma mulher de corpo longilíneo, cabelos cor do fogo, curtos e meio tosados, trazendo nos braços um raro e assustador espécime de gato persa. Fiquei hipnotizado por alguns segundos, meus olhos rodopiaram e logo a maquiavélica figura se fazia presente na minha frente. Dei um salto para trás, quando ela perguntou: - O que quer?

Sua cabeça -  eu disse, em tom metálico, ainda duvidando disto. Então aqueles olhos bruxuleantes sorriram diante da minha persona, agora patética, convidando-me para o jantar.

 

ATO II – A LAZANHA

 

Quando entrei na cozinha avistei sobre o guarda comidas um felino negro com esmeraldas no olhar que resolveu encarar-me na sua totalidade, quase que impedindo minhas ações. Sentei-me e logo senti o aroma da iguaria que estava sendo retirada do forno.

Fumegando, a travessa foi colocada sobre a mesa, e logo fui avisado que era uma lazanha vegetariana, pois um dos convidados não comia carne. CONVIDADOS?  Como assim?

Com toda sua falsa delicadeza  e  pernas de saracura , a dona da casa, recebeu mais duas pessoas, e todos nos sentamos para degustar o prato.

O jantar não foi tão ruim, mas já trabalhei com melhores. O importante é que estava ali e teria que cumprir minha missão.

 
 

ATO III – PÊLOS  NO SOFÁ

 
Moncye, como era conhecida a dona da casa, falava agora de poesia. Eu ria interiormente, ouvindo suas críticas embasadas em comentários filosóficos de quem lê Neruda em espanhol. E eu, parado, pregado no sofá, sorvia o frio negrume do café requentado.

Quando percebi que minha calça, casaco e todo o resto naquela sala estavam atolados em pêlos, de várias cores e tamanhos, eles dançavam no ar, provocando minha rinite e  paciência.

Os outros dois convidados, um homem de estatura mediana, barba serrada, pele rugosa e rosada e com seqüelas de acne, ria muito, enquanto a mulher ao lado dele, metida num tomara que caia branco, ostentando cabelos negros escorridos e tímidos segurava um angorá branco  embalando como um recém-nascido. Eu olhava tudo com nojo e arrependimento, porém algo me dizia que seria interessante eu continuar ali colhendo dados importantes para minha pesquisa.
 

ATO IV – O REBENTO MALVADO


Logo depois do café com gato, a porta se abriu e com ela uma rajada de vento que colocou para dentro mais um personagem. Entrou meio aturdido com cara de boneco de mola e olhos de bolas de gude mesclados em verde azulado. Usava uma calça jeans surrada e uma camiseta colada ao corpo revelando uma saliência abdominal adquirida provavelmente por litros de coca-cola e alguns big-macs.

Logo a mãe coruja ora felina, nos apresentou sua cria que sorriu realçando a brancura dos dentes, dizendo um olá a todos e logo desaparecendo escada acima.

 

ATO V – PORTENHOS NO QUINTAL


Para completar a cena, a campainha gritou. Eu estava na cozinha tentando investigar pistas e colhendo dados para meu artigo abstrato, porém concreto em meu cérebro refinado, quando ouvi um sotaque galego... cocei a fronte revirando os olhos, pigarreando.

 Logo avistei no hall dois homens e uma mulher de aparência cigana, desses que leem a mão, adivinhadores da vida alheia. Fomos apresentados enquanto os gatos miavam eriçando pêlos e unhas. Com o estômago revirado fui levado para o quintal  abraçado pelo homem de rosto rosado com cicatrizes de acne , levado pela mão por sua amiga tímida.

Não sei o que havia escondido naquele quintal, só sei que todos estávamos ali agora em meio a vasos e plantas, e uma tartaruga imaginária que insistia em se esconder entre as folhagens.


Eu olhava com asco aqueles ciganos de aparência seborréica. Tinham os cabelos compridos e despenteados. A mulher vestia saia longa e solta, florida em sua totalidade, exibia também um corpete branco cheio de laçarotes. Os homens, dominados pelo cigarro, falavam baixo e rápido e em sua linguagem portenha eu nada podia entender. Pareciam maltrapilhos. Usavam chinelos ou sandálias(até hoje não sei bem o que era aquilo), de um tecido rugoso e  de tons acastanhados. Um deles usava uma boina típica do Che Guevara.

A cena final caracterizou-se desta forma: Os três maltrapilhos sentados no chão, a dona da casa na soleira da porta, e eu e os convidados apoiados na mureta que embutia o bujão de gás.

Na cozinha os gatos e a lasanha.


EPÍLOGO


De repente fui convidado a visitar o andar superior. Passei em frente a uma estante onde tranquilamente dormiam dois felinos, um branco e um malhado. Eram desses gatos vira-latas que miam para a lua e gemem de madrugada debaixo das janelas.

Sem demora subi as escadas acompanhada da saracura e da tímida que me  levaram até o computador onde tive que ler alguns poemas anárquicos, escritos devassos que sutilmente à primeira vista revelavam um lirismo tosco.

Enfim,  e já sem tempo, as despedidas!! Saí exatamente como entrei. Assustado e só, nem desconfiando que  alguns anos à frente,  eu iria descobrir tudo sobre a colecionadora de gatos.

 by Lu C.

*direitos reservados*


 

 

 

 

 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Bolha assassina

Quando me casei eu não era lá muito chegada em cozinhar, mesmo porque estudava e trabalhava na própria faculdade e chegava um pouco tarde já meio esbagaçada de cansaço.

Minha mãe vinha me "salvar", deixando a casa arrumadinha e deixando a janta a meio caminho andado. Ela cozinhava feijão, temperava os bifes e deixava a salada lavada na geladeira e assim quando eu chegasse faltaria só eu tirar as cartas da manga e começar a jogar, porque pelo menos o arroz eu sabia fazer.



Bom, até aí tudo bem, né gente. Mas teve uma noite em que fui temperar o feijão e fiz tudo como ela tinha me ensinado. Só que esse feijão fervia e fervia e nada do caldo engrossar... Daí eu fiquei com a pulga atrás da orelha e pensei com meus botões: " Ué, porque o caldo não fica suculenteo como os que minha mãe e vó fazem?" Indignada com aquele aguaceiro dentro da panela eu tive uma idéia: BRILHANTE E EXPLOSIVA kkkkkkk... Advinhem o qu eu fiz?

Peguei um copo de água com 2 colheres de farinha de trigo, misturei e despejei dentro do feijão.
CREDO EM CRUZ!!!!!! O treco começou a pular e levantar bolhas e eu mexendo e tudo espirrando em mim, no fogão nas paredes e o bagulho crescendo e pulando fora da panela. Imaginem minha cara de horror?! kkkkkkk

FEIJÃO ASSASSINO

Desliguei o fogo e o treco acalmou, mas advinhem :eu tinha feito um cimento armado com sabor de feijão. FRUSTRAÇÃO TOTAL, mas depois caí na risada e respirei aliviada falando em alto e bom tom:

"AINDA BEM QUE MINHA SOGRA NÃO VIRIA PARA O JANTAR"!

"by Lu Cavichioli em tempos de aprendiz de feiticeiro"

terça-feira, 16 de abril de 2013

Conversando com Clarice - a Lispector





Recadinho de Clarice Lispector - para quem acha que existem coisas IMPOSSÍVEIS

"A maioria das coisas impossíveis são impossíveis apenas porque não foram tentadas. Quanta coisa você não faz por timidez ou medo...

Você já experimentou pintar paredes? Pois, acredite ou não, não é necessário tirar "curso" ( só um curso de confiança em si mesma ajudaria, pois confiança é o que lhe falta).

A tinta, você compra. O pincel, também. A parede você já tem. E duas mãos também. Por incrível que pareça, você é dona dos instrumentos necessários. O que falta mais? Um pouco de ousadia e vontade de se divertir. (E de economizar)

*Palavras de Clarice em seu livro "Só Para Mulheres", onde foi feita uma coletânea das matérias que ela expunha quando era radialista.
A edição está linda e vale a pena ter em sua biblioteca particular.




*nota da Lu - Viver reclamando da vida é fazer desabar a casa, tijolo por tijolo.
Tornar o IMPOSSÍVEL em POSSÍVEL nem sempre é tarefa árdua.

Lu C.