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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Noite dos Tempos

Uma dessas noites em que o tempo/espaço e universo te levam a divagar, creio eu ter achado minha outra parte em alguma dimensão paralela.

Veio em forma de sonho, mas para mim parecia muito real.
Quem tiver a fim de ler: BOA VIAGEM E LEITURA TAMBÉM!

(Tive esse sonho no ano de 2000!)
Sentei-me na cama. O peito arfando e a testa molhada.




Logo que o rádio relógio tocou olhei imediatamente para os digitais, que exibia um vermelho desbotado, posto que ainda sonolenta, visualizava em meio à leve penumbra que envolvia meu quarto, números, que gritavam: _oito horas da manhã!
Então sem demora levantei respirei fundo dirigindo-me à porta que estava fechada.

Quando abri, saí no corredor e vi minha empregada que passava apressada vestindo um uniforme nada habitual. Usava na cabeça aquelas toquinhas ridículas com rendinhas e laços de fita acetinada, culminando num todo listrado de azul e branco, avental do mesmo tecido, meias soquetes e sapatilhas brancas. Olhei-a meio desconfiada, virei a direita esperando encontrar minha sala de estar, quando fui surpreendida por uma grade que dava acesso a uma escada que por fim levaria à sala.

À minha direita, cortinas esvoaçavam ... Enfim quando resolvi descer as escadas olhei para baixo e vi três salas. Parei, segurei firme na mão da criada puxando-a em minha direção, indagando:
__Onde estou? Que lugar é este?
__Desculpe, senhora, mas... Está em sua casa!?
Dito isto, soltei-a de qualquer maneira e pus-me a contemplar o trio de salas, amplas em sua totalidade. Duas salas de visitas, diferenciadas, e ao longe a sala de jantar.

Ainda não tinha conseguido descer as escadas, estava meio atônita e petrificada. Num ímpeto, projetei meu corpo para frente e pensei:"_ vou descer... é agora ou nunca. Então comecei a descer, quando ouço bem atrás de mim um choro de criança... Olhei e vi um rosto de maquiagem leve,fino corpo vestindo um avental branco e trazendo nos braços um bebê rosado e muito bem cuidado, que ao olhar prá mim, sorriu como uma estrela em noite enluarada.

Não pude conter-me, acariciei seu rosto, suas mãozinhas, que neste momento ansiavam por meus braços. Surpresa e comovida, olhei para aquela moça e perguntei:
__Quem é você, e o que faz com este bebê aqui?
A moça olhou-me com indignação, respondendo:
__Bom dia... é... sou a babá, e este, seu filho.
Este golpe foi pior que as três salas, a sacada e aquele uniforme sem graça de Maria. Neste momento eu não sabia se estava no último degrau ou se já tinha colocado os pés em terra firme.

Quando dei por mim estava sentada em uma das poltronas ouvindo um ruído que vinha detrás de uma porta vai e vem . Levantei-me rapidamente, empurrei a portinhola e saí na copa. Mesa posta, uma desjejum de fazer inveja! Frutas, leite, sucos, frios , queijo, croissant, geléia...
Tudo era muito estranho, mas eu , de certa forma, estava gostando daquilo. Então pude ver agora de onde saía o ruído que ouvira instantes atrás. Em pé ao redor de um balcão instalado no centro da cozinha, estava outra jovem, de certo agora uma cozinheira, picava lentamente alguns legumes. Olhou-me dizendo:
__Bom dia, não se preocupe, já estou fazendo a sopinha do bebê, vou colocar bastante cenoura como pediu.

Assenti com a cabeça, balbuciando um gemido: "_ahan”
Resolvi continuar minha exploração e logo ouvi um burburinho vindo de fora. Corri e saí em um quintal... enorme... com jardim e tudo.
Passou por mim neste momento uma jovem, linda, cabelos solto , pretos, olhos escuros e pele bronzeada. Deu-me um beijo e disse:
__oi mamãe, onde estava? Está atrasada para sua aula de natação.
NATAÇÃO??????

Eu odiava natação e morria de medo de piscinas. Foi quando vi, bem na minha frente, umas delas. Enorme, e... Cheia de gente.
Parecia uma festa do Havaí... Uma loucura!
Saí andando por este jardim como uma desorientada, perdendo a noção do tempo e espaço. Ao longe, avistei aquele bebê, juntamente com três senhoras. Corri até lá pedindo ajuda:

__Por favor, ajudem-me! Quero sair daqui... quero ir para casa.
Uma delas aproximou-se de mim dizendo:
_Fique calma, está em sua casa.
Olhei-a extremamente desesperada. Foi então que tive a maior e a mais extraordinária experiência de toda minha vida.

Avistei uma cadeira, bem no meio do jardim... corri, sentei-me nela e imediatamente esta cadeira foi girando, em câmera lenta...
foi subindo para o ceú, girando lentamente... Subindo, e eu vi nesta hora figuras angelicais de todos os tipos, formas e rostos. Uma mais linda que a outra. Depois o movimento giratório tornou-se mais rápido e logo estava eu em um túnel nebuloso... ( não dá para imaginar que sensação fantástica e aterrorizante que eu estava experimentando)

Continuava girando e girando cada vez mais rápido, até que a cadeira ficou em posição normal, eu fui descendo lentamente e quando dei por mim, estava em minha cama, em meu quarto, porta fechada, olhar no relógio: Um digital vermelho que ressonava oito horas da manhã!

Cheguei à uma conclusão: Foi realmente um sonho, ou um fenômeno?
Estava em outra dimensão encontrando-me com meu outro eu??
Não sei dizer. Só sei que nunca mais esqueci esta experiência.
Mas de uma coisa estou certa:
Existem os mistérios, porém, somos tão frágeis criaturas, que não valeria a pena tal explicação. Mesmo porque nossa mente
não alcançaria tal revelação.

Coleção: Self

By Lu Cavichioli

16 comentários:

  1. Nós não escolhemos os sonhos, eles é que nos escolhem,
    *(
    São um pedaço de tudo que queríamos ou não realizar, é aquilo que não pensamos e queríamos pensar, pode até ser um delírio da nossa mente, "alucinações, projeção se si mesma...
    Precisa, antes de dormir, fazer uma oração e pedir..., "bons sonhos">
    ...Houve um tempo que meus sonhos eram tão cansativos, que, ao acordar era como se tivesse levado uma surra, às vezes não conseguia alcançar os meus objetivos, subia por uma escada sem fim...esperava por alguém que nunca aparecia;
    já tinha medo de dormir, mas superei depois que me habituei a erguer as mãos e rezar...conversar* com Deus...beijos

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  2. E agora, José? Já li antes? Não? Comentei? Não comentei?
    Bom, tirando isso, tive uma experiência semelhante (obviamente com outros detalhes) aos sete ou oito anos de idade - mas bem acordado, ao balançar-me numa gangorra, à noite, de olhos fechados. Fiquei apavorado...
    Abraços.

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  3. Eita, fiquei arregalei os olhos a cada palavra lida.

    Seus sonhos são espetaculares, cheios de minúcias. Sua capacidade de contá-los com tanta riqueza, então... Massa!

    Beijos... E vá já para casa que já são oito horas!
    Rsrs.

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  4. Oi Mery, pois evidente que sim. Somos totalmente dependentes desse inconsciente devastador e sem pudores chamado de ID por Freud. E ainda bem que eles (os sonhos) existem. Justamente pra nos aliviar e tornar nossa consciencia mais controlada.

    Sim caríssima, eu oro antes de dormir e agradeço sempre a Deus por tudo nessa vida.
    Obrigada pela presença, volte sempre!
    beijo=D

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  5. Caro RR naum sei se já leu, mas gostei que vieste para ler (talvez), novamente.

    E pode ir me contando sobre essa experiência aí que falou. Fiquei arrepiada aqui, viu?
    Escreva algo a respeito, vou adorar ler e comentar.

    bacio caríssimo =D

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  6. Mi, rsrs... nem conto miga! Cada sonho maluco que eu tenho... Nossa! As vezes eu cismo de escrever sobre,e outros que ficam cortados pelo meio do caminho eu reinvento e os faço acontecer em prosa surreal.

    Mas este foi assim mesmo... MEDO!kkk

    O pior mesmo foi o relógio marcando o mesmo horário rsrs... afff!!

    bacio lindeza!=D

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  7. Um sonho espetáculo ou um espetáculo de sonho lindooo...
    Adorei
    beijos perfumados

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  8. boa noite amiga!
    O bom do sonho é saber contar...e vc traz esse esmero todo...
    Bjs

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  9. Olá Lu. Que bela experiência! Que belo sonho ou uma visão de outra vida. Por que não? São coisas que nos faz divagar! Já tive experiências assim e foi com um belo menino! nunca me esqueci! Bjos e ótimo fim de semana. Todo carinho pra vc sempre. Adorei amiga!!!!

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  10. Olha Nelma eu nem sei direito te responder, porque foi tudo muito assustador e ao mesmo tempo fantástico!

    Uma loucura total esse sonho... o mais assustador foi a levitação e o girar no túnel. Nunca mais esqueci rs!

    Valeu a leitura, cara mia, obrigada;D

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  11. Oi Severa, eu me esforcei ao máximo para contar os detalhes que fazem toda a diferença.

    Obrigada pela presença, querida!
    beijos =D

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  12. Cidinha do céu, nem te conto!! Uma experiência inesquecível esta, menina... affff!
    Era tão real... sei lá... até hoje fico a me perguntar o que foi aquilo rsrs... Eu não acredito em outras vidas, acho que viajei mesmo numa sensação desconhecida pra mim.
    Enfim a retiscência deve continuar...

    bejos lindeza e grata pela paciência na leitura!
    bjkas :D

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  13. OI Marli, bom qu tenha gostado!

    Obrigada =D

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  14. Lembro-me de que comentei daquela vez...

    Lu,
    Acho que esta sua vivência que vc narra com tanta propriedade e com tal maestria,possui dois lados distintos, ou seja, para quem acredita em dimensões extraterra, outros universos, outra noção de temporalidade, esse foi não um sonho, porém uma experiência de vida mesmo!!
    Agora, para quem acredita que a nossa mente é semelhante a um computador, vai armazenando sensações a partir do útero da mãe, passando pelas experiências riquíssimas da infância, adolescência e até a idade atual, esta é uma segunda versão, a meu ver...são um mix de sensações apenas, que parecem tão reais que acabam se tornando mesmo reais!!!
    Pois vc sente que viu, presenciou e viveu aquilo tudo.

    De qualquer forma, Deus explica, na espiritualidade (e Freud tb, na psicanálise)...

    Beijos, miga!
    Desculpe-me - de coração - a demora, mas estou confeccionando os enfeites de Natal do P.E.T.I e trouxe muito trabalho pra casa...rs

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  15. Lu
    Adorei o seu conto. Acho que foi real
    mesmo.
    Talvez um dejavu?

    O que importa é que ficou na memória uma experiência que você nos passou com uma riqueza de detalhes.
    bjs

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